ORDER BOOK

*DEEP ECOLOGY - NOTE-BOOK OF HOPE - HIGH TIME *ECOLOGIA EM DIÁLOGO - DOSSIÊS DO SILÊNCIO - ALTERNATIVAS DE VIDA - ECOLOGIA HUMANA - ECO-ENERGIAS - NOTÍCIAS DA FRENTE ECOLÓGICA - DOCUMENTOS DO MEP

2006-08-06

SÍSMICO-NUCLEAR 1979

1-6-sismos-1- temas de fundo – antologia de publicados – temas recorrentes – dossiês proibidos – mein kampf – os guardas do gulag

A ROTINA SÍSMICO NUCLEAR

TERÁ A HUMANIDADE OS MAREMOTOS QUE MERECE? 

8/8/1979 - O bombardeamento atómico de Hiroxima e Nagasaki, há 34 anos, foi mais uma vez “comemorado" (como eles dizem) com as cerimónias da praxe.
O 6 de Agosto tornou-se uma rotina e o relógio de contagem decrescente do Jornal RTP 1 não se esqueceu de mostrar mais esta efeméride com imagens da cidade arrasada e do cogumelo atómico, símbolo da Nova Era iniciada há 34 anos.

Em Tóquio, capital do País que os aliados forçaram a render-se ao primeiro bombardeamento atómico, reuniu-se uma conferência sobre energia nuclear, com uns a defender e outros a atacar, a mostrar pluralismo no Reino do Plutónio. Na cidade propriamente dita (arrasada) de Hiroxima, “guardou-se um minuto de silêncio em memória de 130 mil vítimas" do holocausto nuclear. À razão de um minuto por ano, já lá vão 34 minutos de silêncio.

Mas as grandes potências atómicas não dormem e não iriam consentir que se degradasse, na rotina, triunfo tão magnífico para o género humano: e arranjam sempre maneira de comemorar (elas, sim, comemorar), todos os anos de maneira original, a data tão querida à humanidade e que lhe abriu esta era de prosperidade que é a chamada Era do Plutónio,


Com efeito, foi de maneira  triunfal que três grandes potências atómicas aproveitaram o 6 de Agosto para exibir, neste ano da graça de 1979, o seu poderio e a capacidade exterminadora (civilizadora) das suas bombas. Como podiam tais grandezas ser possíveis, sem a salvadora bomba (pomba) da Paz lançada sobre Hiroxima?

A 4 de Agosto e segundo um telex da ANOP - que apenas conseguimos "caçar" no vespertino «A Nação» (ocupada que a Imprensa anda com questões de fundo muito mais importantes), - eis que a URSS fez mais um rebentamento subterrâneo na sua estância de Semipalatinsk, o tal perímetro onde há 16 anos já rebentaram mais de 2 mil bombas experimentais.
Facto que, evidentemente, não saberíamos  se o observatório sueco de Upsala não estivesse atento e a ANOP não telegrafasse o 8º rebentamento subterrâneo deste ano pela URSS.
Isto, portanto, a 4 de Agosto, horas antes das celebrações nas igrejas de Hiroxima.

A 8 de Agosto, a agência France Press, em telegrama das 16 horas (telegrama que não conseguimos ler nos jornais ), anuncia que os Estados Unidos praticaram o 9º rebentamento deste ano no seu deserto do Nevada, poucas horas depois de Hiroxima estar em celebração da data de Hiroxima.

Mas para haver alguma novidade ainda mais sensacional nestas 48 horas , eis que a França anuncia a 7 de Agosto, ainda com os sinos de Hiroxima a repicar, que também fizera potente rebentamento subterrâneo mas ( oh surpresa!) há umas semanas atrás!
A França antecipara-se nas comemorações de Agosto e decidira, no seu atol da Muroroa, lá para o Pacífico, fazê-la tão pela calada, tão pela calada, que ninguém deu por nada.

+ 7 PONTOS

O curioso desta operação Segredo, não reside só aí. Para já, acodem-nos estas reflexões:
1 - Se a França conseguiu realizar um rebentamento tão potente, sem que nenhum, absolutamente nenhum dos rangentes telexs, sempre tão solícitos, viessem denunciar o feito - estamos ou não estamos num mundo bem informado? 
2 - Se a França, onde uma democracia parlamentar logicamente facilitaria uma fuga (inconfidencial) de informações como esta, consegue manter absoluto e total (itário) segredo de uma bomba, o que não terá sido até hoje e o que não será na URSS onde não há fugas, não há inconfidências, não há descontrole anárquico de segredos de Estado e os canais são muito bem controlados?
3 - A França, aliás, veio dizer leal e honestamente (para celebrar o 6 de Agosto) que rebentara um mês antes. Ou antes: não desmentiu o que foi dito pelo movimento Green Peace. Mas podia, modesta e perfeitamente, ter-se calado. Quem jamais o saberia ou viria a saber?
Quantas calamidades da Natureza não serão devidas a experiências que os cientistas e técnicos  realizam?
4 - A Humanidade, portanto, está optimamente ïnformada.
5 - Mas a França é ainda previdente na sua estratégia informativa sui generis, não dando qualquer tipo de precisão quanto à hora, dia ou sequer semana em que o rebentamento se deu. Deu-se...algures e em tempo indefinido.
6 - Neste ponto e como veremos adiante, a Agência Soviética Tass, consegue um rigor jornalístico muito superior: como veremos adiante, a 7 de Agosto, a Tass anuncia um sismo na fronteira sino-soviética, localizado "temporalmente" com a expressão "esta semana"...
7 - Só os Estados Unidos continuam sem técnica nenhuma de noticiário: fazem o seu rebentamento hoje e vêm logo dizer amanhã que foi às tantas horas, minutos e segundos... Resta saber se foi, mas a gente fica convencido que sim e a verdade é que, 24 horas depois, as ondas sísmicas confirmam que, sim senhor, deve ter havido bomba no Nevada pela certa.

O CIVISMO DA FRANÇA

O apanhado noticioso que a seguir se mostra é  um exemplo de como a informação fundamental sobre este tempo-e-mundo continua a ser um jogo do gato e do rato, um puzzle que se tenta a custo (e quase sempre sem êxito) reconstituir, a partir de fragmentos omissos ou semi-omissos.

Reconstituir o tecido da realidade “sísmico nuclear" é um exemplo entre muitos: mas, como tal, indica-nos a extensão do problema informativo em determinadas áreas do fenómeno Tecno-Internacional.

Mesmo quando aparecem, escamoteadas e raras, algumas notícias , ninguém evidentemente se dá ao cuidado de ligar  umas nas outras, de forma a perceber nelas a relação de causa e efeito. A que existe, por exemplo, entre Bombas e Sismos. Pelo que, mesmo havendo notícias, não há informação, quer dizer, um entendimento coerente e inter-causal do tecido da realidade. Dos factos entre si.
As potências e as agências noticiosas sabem isto, sabem muito bem que memória de formiga tem a humanidade, tem o leitor (distraído) dos jornais.Ao anunciar o rebentamento na Muroroa um mês depois,demonstrou-o.
Quem , um mês depois, se iria lembrar que um mês antes, três aldeias indonésias foram "engolidas" pelo mar, num fenómeno colossal que uns telexes traduziram para maremoto e outros para maré-viva, perplexidade que desde logo dava a entender que ninguém (num mundo de tantos especialistas e cientistas ) sabia o que se estava a passar.
E o que se estava a passar, pura e simplesmente, era o rebentamento da bomba francesa, mesmo ali ao lado nas pacíficas ilhas. Mas de tal maneira em segredo, que ninguém iria relacionar. Note-se que se a notícia do rebentamento veio um mês e tal depois, as notícias referentes ao maremoto da Indonésia eram igualmente difusas e confusas quanto ao dia e hora em que o facto acontecera.
Vagamente, só se sabia que o facto fora noticiado muitos dias depois de acontecer.

A MALVADA NATUREZA

E foi, mais uma vez, a brutal, violenta, odiosa, malvada Natureza que arcou com as culpas todas do maremoto.
A potência atómica, entretanto, anuncia o triunfo um mês depois e já todos , incluindo jornalistas, se esqueceram das três aldeias engolidas pelo mar.
Viva a Informação, abaixo a Natureza.
Quanto aos triunfos do mês de Agosto, e antes que se reproduza a seguir o molho de notícias que andámos a "pescar" para conseguir extrair um grãozinho da realidade factual, dois fenómenos devem no entanto ser já assinalados :
Calhando o 6 de Agosto , este ano de 1979, quase em cima da Lua Cheia (que foi dia 8), digamos que os cientistas que aconselham os militares a marcar a data dos rebentamentos, foram prevenidos: se é certo que não previram a erupção do Etna, eles sabiam no entanto que uma tempestade solar, prevista há meses, se estava a formar para eclodir próximo destas datas; e sabiam que fazendo um enorme alarido da dita superactividade solar, não só era mais uma maneira de esmagar as mini-notícias dos rebentamentos e consequentes sismos, como ainda por cima arranjavam um alibi  para explicar tudo:
a) O maremoto da Indonésia (provocado pela bomba francesa)
b) A erupção do Etna (activada pela bomba soviética)
c) O terremoto de S. Francisco, a 7 (obviamente provocado pela bomba americana no Nevada);
d) Enfim, toda a onda sísmica que, em cima da Lua Cheia, dois rebentamentos quase simultâneos, um no Nevada e outro na Sibéria do Sul, tinham fatalmente que provocar,
Por isso, meses antes, os telexes já andavam a falar da superactividade solar!


4 - 8 DE AGOSTO DE 1979: ALGUNS FACTOS

E agora, a panóplia de telegramas que conseguimos apurar na vala comum que é a informação ecológica fundamental no seio da Grande Informação.

 (Ver Correio da Manhã, 25.6-79, o  artigo intitulado «BOMBA (DE SANTO ANTONIO) E SISMOS», Ldª)
À parte uma pequena ocorrência, entre 29 de Junho e 2 de Julho (Versemanário «Edição Especial», 8.7.79), um sismo no Panamá provocado por uma explosão no Nevada, há dois meses não havia nada de violento.
As potências atómicas parecem ter feito  férias (repartidas) de Verão, tendo recomeçado dois meses depois e em força, naturalmente para "comemorar" o 6 de Agosto, 34° aniversário da vitória aliada .

Se nos dermos ao trabalho e juntarmos num molhinho as notícias colhidas daqui e dacolá, dias 6, 7 e 8 de Agosto  obtemos confirmação da rotina sísmico-nuclear .

Conforme notícia da ANOP, que lemos no vespertino “A Nação” do dia 4 de Agosto, a URSS teria cometido mais um rebentamento subterrâneo no célebre perímetro de Semipalatinsk, conforme notícia chapa já tão familiar ao cocabichinhos do terror sísmico-nuclear.
O laboratório sueco de Upsala foi quem desta vez deu pelo rebentamento.

Dia 6, ao fim da tarde, segundo o “Diário de Noticias” do dia 7, " a costa jugoslava ao sul do Adriático fora abalada por um forte tremor de terra, tendo sido as cidades medievais de Kotor e Budva, já fortemente danificadas pelo sismo de Abril passado, dois dos pontos em que se verificou maior intensidade sísmica."
Vinte e quatro horas depois, começam a chegar os telexs no seu estilo telegráfico, objectivo, indiferente. A informação deve ser neutral... Quer dizer, como se os sismos não tivessem ligação uns com os outros e não constituíssem ondas do mesmo epicentro - a causa "bomba subterrânea" de que são mais que óbvio efeito.

Dia 7, muito cedo e segundo a Reuter, "arranha-céus tremeram, comboios pararam e os PBX da Polícia receberam inúmeras chamadas telefónicas quando o mais violento terramoto a assolar o Norte da Califórnia, há 68 anos, sacudiu a área de S. Francisco."
E como S. Francisco não é propriamente uma aldeia indonésia, a notícia foi telegrafada e (vá lá) houve ainda um jornal da tarde, o “Diário Popular”, que a publicou.

Mas mais explícito e alargado era a molho noticioso fornecido, no dia seguinte.
Em 1ª página, pelo “Diário de Notícias”, que reproduzia a notícia da Reuter sobre S. Francisco mas acrescentava mais alguns pontos atingidos pela onda sísmica que entretanto fora alastrando no tal espaço já clássico das 48 horas:
" Entretanto "- dizia o “Diário de Noticias” do dia 8 - " o Governo do Japão declarou uma vasta área do centro do país como zona de perigo, após alguns sismologistas terem afirmado que um violento abalo de terra, com um grau aproximado de cerca de 8 graus na escala de Richter, poderia ocorrer a qualquer momento."


A TASS QUEBRA O GELO

Mas a maior novidade neste interessante molho do “Diário de Notícias”, são as seis linhas finais, em que “ a agência Tass anuncia também um tremor de terra sentido «esta semana na fronteira» sino-soviética, perto da cidade de Kapakul.”

Dizer-se "esta semana" em jornalismo diário é qualquer coisa de inédito nos anais do jornalismo .
Mas dizer-se "na fronteira sino-soviética", para especificar o local, - numa fronteira que atravessa o maior continente do mundo, num total de milhares ou mesmo milhões de quilómetros - merece o prémio Nobel .

Diga-se que a zona dos rebentamentos - onde há 16 anos a URSS prossegue as suas experiências com bombas subterrâneas - , o perímetro de Semipalatinsk, fica perto da fronteira sino-soviética , lá isso fica, quer dizer, na Kirguizia, onde repousa (?) o conhecido lago Balkash dos Cossacos, a cidade de Alma-Ata, várias vezes atingida por sismos, o célebre centro científico-siberiano de Novosibirsk (tantas vezes elogiado nos artigos da Novosty) com o lago Baikal mais para Leste, tudo isto contornando a fronteira sino-soviética que nunca mais acaba.
"Que o sismo não fez vítimas" - sublinha a Tass. No deserto gelado da Sibéria, de facto, a não ser alguma rena pré-histórica vítima de comoção sísmico cerebral, não vemos grande hipótese de haver vítimas.

Quem, ao noticiar um sismo, diz "esta semana" como podia dizer "este mês" ou "este ano", deve com certeza andar a ensinar um novo jornalismo.

 E quando há sismo, o jornalista pergunta: de quem terá sido a explosão? França, Estados Unidos ou URSS?E quando há explosão, pergunta logo " Onde vai ser o sismo"?


8/Agosto/1979
- - - - -
(*) Publicado no semanário « Voz do Povo», 30/8/1979

2006-04-28

INTERFACES 1992

1-5 - 92-04-28-cw= complete works

28-4-1992

INTERFACES DA ECOLOGIA HUMANA - ÁREA PRIVILEGIADA DA UNIDEOLOGIA

«Com uma cajadada, a Unideologia mata sempre vários coelhos»

Informação formatada em fotocópias A4, arrumada por temas:

Entre livros e documentação seleccionada A4, a área de ecologia Humana, em interface com a Holística, tem na Biblioteca da «Frente Ecológica» alguma informação, arrumada por grandes áreas, tais como:
A) O Macro-sistema contra os Ecossistemas:
- A Era da catástrofe = Os retrocessos do Progresso
- O efeito «a retardador» = Desastres de efeito diferido («bombas-relógio») ou tele-efeito ( fenómeno inédito em toda a história humana - nunca uma notícia foi tão prolongada como Chernobyl, Three Mile Island, Seveso, Vietname, Hiroxima, etc.
B) Ecologia Humana
C) Holística e Bionergética Humana
D) Tecnologias de saúde e alternativas de vida

I
A) A ERA DA CATÁSTROFE - TEMAS MAIS NEGATIVOS DE ECOLOGIA HUMANA:
- Grandes desastres: Laboratórios de Ecologia Humana ( ex: Hiroxima)
- Mega-engenharias e megalomonias («the big is beautiful»):
- Rebocar icebergues, desviar rios, alterar climas, construir superaceleradores de partículas, super reactores nucleares, superpetroleiros, superjactos, etc.
- Poluições Itinerantes - Produtos perigosos - Camiões-cisterna -
- Ruído, interface típico da Ecologia Humana (Surdez + Stress + Interferências nas energias vibratórias do ser humano humano > Se não houvesse Ruído, a indústria das Próteses Auditivas não existia, nem a dos Tranquilizantes, nem a dos tampões auditivos...)
- Os fascismos da Democracia:
- O Cidadão metido em bancos de dados informáticos - Interligação de polícias - Interligação de polícias a todos os departamentos do Poder - Viva a Interpol - Coexistência pacífica ( KGB + CIA + Inteligent Service + etc) =
- «O Estado vai interferir na nossa vida privada?» - pergunta um; Resposta do outro, tipo Sopas-depois-do-almoço: «O Estado promete não se meter na nossa vida privada»
- Outra ocorrência do tipo sopas-depois-do-almoço é o ar condicionado: a uma fase de elogiosa propaganda e de panegírico, e quando já todo o Mundo tinha comprado ar condicionado, começam os efeitos sobre a saúde...
- Outro interface da ecologia humana desta nova tecnologia: Gasta energia eléctrica enquanto as tecnologias solares e a arquitectura solar não entrarem nos hábitos do consumidor enganado
- Doping: aparentemente «maldito» no desporto - à luz de uma retórica moralista em que os media são peritos - o «doping» - caso particular da Iatrogénese - é a droga nossa de cada dia na medicina e nem só: mas só nas Olimpíadas e na Volta a Portugal é que se dá por isso (classificar nas mais belas hipocrisias do sistema)
- Crianças com doenças de adultos e velhos ( o cancro é principal causa de morte em crianças até aos 15 anos nos EUA)
- Televisão contra as crianças ( > écrãs catódicos do computador)
- Manipulação psíquico-ideológica dos «media» e nem só ( + manipulação radioactiva)
- Sofismas e mitos do discurso oficial - o Ambiente invisível que nos condiciona até ao ADN
- Saúde Pública: escândalos silenciados > Ciências ocultas em tempo de inquisições
- Novos hábitos alimentares (divulgadíssimos na TV) e Cancro: «fast-food», cereais e óleos refinados, alimentos sem fibras, aditivos e corantes químicos, fritos e hamburgers, alimentos irradiados, fornos de micro-ondas, etc
- Doenças do Trabalho = Doenças do Stress (90% dos textos relacionam (causa > efeito ) Stress e Indução do Cancro
- Causas Conhecidas de Doenças (ditas) «desconhecidas» ou «misteriosas» (Ver os preciosos dossiês com notícias seleccionadas do terror tecnoindustrial ( «Notícias do Apocalipse - 1946-90») = Impacto da sociedade industrial na Vida Humana = Desastres industriais: laboratórios de Ecologia Humana [ver cronologia dos grandes desastres desde Hiroxima e Vietname até Three Mile Island e Chernobyl), que tanto ajudaram os cientistas a compreender os efeitos das radiações no ser humano (caso de Hiroxima) e do agente laranja--herbicidas-- (no caso do Vietname e Seveso), etc]

II
B) ALGUNS EXEMPLOS DE ECOLOGIA HUMANA
Informação formatada em fotocópias A4, arrumada por temas, tais como:
- Consumos provocantes (café, chá, coca-cola, estupefacientes, etc)
- Toxicologia e Ecologia Humana («A química que adoece»)
- Nós, Cobaias da Ecologia Humana ( Iatrogénese, caso particular da Toxicologia médica, um crime capital do Mundo contemporâneo)
- Doentes usados como cobaias ( a neutralidade da ciência tudo justifica e autoriza)
- No Tempo das Próteses, esse portentoso negócio da sociedade traumática por excelência ( ex: «cirurgia corta com a faca o que não consegue curar pela terapêutica» - «cirurgia melhora negócio enquanto a medicina não for (alimentarmente) preventiva ou profiláctica»)
- Óculos (a prótese mais antiga, mãe de todas as próteses...)
- Aparelhos auditivos
- Próteses dentárias
- Próteses de grande cirurgia (Transplantes):«Substituição do coração humano por bomba de plástico», «Válvula biológica aplicada a coração de paciente», «Primeira implantação mundial de células num cérebro humano (26/7/1982)»,« Homem subsiste com aorta de plástico», «reimplantação de mão», « Unidade cirúrgica laser - grande progresso da ciência», «Rins de cadáver para hemodialisado», «Um homem de 24 anos e uma senhora de 51 beneficiados com os rins da vítima de um acidente de viação ocorrido próximo de Coimbra (1/7/1980)», «Transplante da Córnea»,« Feto operado», etc
- Hemodiálise

III
ECOLOGIA ALIMENTAR - UM CASO PARTICULAR DE ECOLOGIA HUMANA
Alguns exemplos dos temas documentados em fotocópias normalizadas A4:
- Regimes alimentares ancestrais e modelos culturais de alguns povos (ex: os Hunza) - Interface com a fome do terceiro Mundo provocada pela Pletora do Primeiro - Macrobiótica, desde este ponto de vista, apresenta-se como a técnica alimentar de menor desperdício energético e a que menos depreda recursos

AMBIENTOPATOLOGIA - UM CASO PARTICULAR DA ECOLOGIA HUMANA:
- Ambiente determina comportamento
- A «civilização» da doença
- Doenças do Ambiente
- Doenças do Consumo
- Doenças do Trabalho
AMBIENTOPATOLOGIA ALIMENTAR
- Febre de Malta e outras doenças de contaminação alimentar, nomeadamente bactereológica e química (tóxica)
- Diabetes
- Alcoolismo
- Alzeheimer (tachos de alumínio)
- etc

V
TEMAS QUE TÊM INTERFACE COM VÁRIAS FACES DA ECOLOGIA HUMANA E QUE CONSTITUEM POR ISSO PISTAS DE INVESTIGAÇÃO FASCINANTES PARA O REALISMO ECOLOGISTA:
- Aspectos biomédicos e ecológicos da Longevidade o Mistério do Envelhecimento = Revisão ecológica da ciência geriátrica
- O Cancro
- Cancro da Pele: interface da ecologia humana (Buraco de Ozono + O Negócio dos Bronzeadores + A força das modas mesmo assumidamente criminosas + SIDA + Aerossois + Concorde fica ileso de culpas na destruição do Ozono)
- Limites da Natureza humana (expedições aos pólos, ao fundo do mar, ao Evereste, à Lua, etc) > Interface muito interessante com a Bionergia e as faculdades supranormais > Interface muito interessante com megagigantismos e megalomanias da Era da Catástrofe > Outro interface: o lúdico e gratuito da Natureza Humana;
- Ruído : interface da ecologia humana/problemas de saúde pública)

VI
TEMAS DE ECOLOGIA HUMANA QUE SE TORNARAM MODA E MODA QUE NÃO É INOCENTE:
- Behavior humano
- Sexualidade
- Alimentação «racional» (uma forma de não ensinar a Bionergética alimentar, de que a Macrobiótica - baseada na tradição taoísta do yin-yang - é uma das interfaces mais lógicas, interessantes e, acima de tudo, eficazes)

ECOLOGIA HUMANA DO QUOTIDIANO - CASO PARTICULAR DA DEFESA DO CONSUMIDOR:
- Animais domésticos - factor de ambiente
- Poluição atmosférica = Cidades sem respirar
- Defesa ecológica do consumidor
- Segurança quotidiana do Cidadão - Interface interessante com «protecção civil» («defesa do território»), Socorrismo ( prontuário de urgências de enfermaria) e a Engrenagem da sociedade industrial, estruturalmente traumática

VII
C) BIOENERGÉTICA - TEMA-CHAVE OU COMO PEGAR NA PONTA DA MEADA (Operação ADN):
- O Corpo não dorme
- Ritmos, ciclos e ondas
- Biocronologia
- Cosmopsicologia
- Poluição eléctrica e Maschiterapia
- Sono - Sonho - O Oceano do Inconsciente ( > interface com métodos do surrealismo e realismo fantástico)

INTERFACES DA BIOENERGÉTICA:
- Medicinas energéticas = Área de vanguarda das mais antigas medicinas sagradas, desde o Ayurveda, a Acupunctura a Farmacopeia Tibetana, à moderna Reflexoterapia, Homeopatia, Radistesia, etc. / Capítulo avançado das Medicinas doces ou artes de curar
- Stress > Exploração do homem pelo homem > «O tempo que nos roubam» > O pânico programado # Ganham as Seguradoras >

VIII
D) TECNOLOGIAS APROPRIADAS DE SAÚDE PARA UM MANUAL PRÁTICO DE ECOLOGIA HUMANA E ALIMENTAR :
- Profilaxia alimentar das doenças ( a verdadeira medicina preventiva e não as VACINAS, que são apenas um crime social dos mais antigos da sociedade moderna)
PROJECTOS DE TRABALHO AC NO ÂMBITO DA ECOLOGIA HUMANA:
- Dicionário Crítico dos Consumos
a) Consumos alimentares
b) Consumos Tóxicos ou provocantes: Tabaco, Álcool, Químicos - aditivos etc.
- «Dicionário dos Alimentos, Substâncias e Poluentes Alimentares» para (projectado) Gabinete de Informação Ecológica > «Dicionário dos Poluentes e Contaminantes alimentares»
- «Os Sete Cavaleiros do Apocalipse: Ruído, Química, Radiações, Sismos nucleares, Stress, Cancro,
-«Dicionário do Terror Industrial»
Projectos pela positiva (alternativas de vida e tecnologias de saúde):
-«Dicionário sobre Artes de Curar = Ecoterapêuticas ou medicinas Ecológicas (energéticas e metabólicas ou do terreno)
-«Manual Prático de Ecologia Humana»
-«Prontuário Alimentar de Urgência»
-«Anuário Holístico (Roteiro de actividades s/ tecnologias apropriadas de saúde e alternativas de vida)»
-
-«Dicionário das Tecnologias libertadoras / Apropriadas»

TÍTULOS DE ARTIGOS E OBRAS QUE ILUSTRAM TEMAS DE ECOLOGIA HUMANA E DE UNIDEOLOGIA:
- «Manipulação Psíquica», in «La Gueule Ouverte», 249, 21/Fevereiro/1979
- «Egas Moniz - evocação de uma obra e de um prémio», in «Boletim do Ensino Secundário», 3/Maio/1975
- «Cruzada Contra A Lepra», P.K. J. Menon, in «A Saúde no Mundo», Maio 1979
- «Macacos de laboratório (e outros animais), in «La Gueule Ouverte», 247, 7/Fevereiro/ 1979 (pg 16)
- «Bócio endémico», in «A Saúde no Mundo», Agosto/Setembro 1979
- «A raiva», in «A Saúde no Mundo», Outubro/1978
- «A Criança e as Drogas», G.M. Ling e S. Boutle, in «A Saúde no Mundo», Junho 79
- «Diabetes», R. Luft, in «A Saúde no Mundo», Maio/1979
- «O discurso da parvoíce - há sempre quem faça o elogio do crime - os panglosses fingidos» (artigo ac)

2006-06-18

HIROXIMA 1992

1-1 -92-06-18-di-ie> = diário de um idiota – ideia ecológica - 1141 caracteres fol-rost> publicados ac(*) para ac ficcionar

O MAIOR LABORATÓRIO EXPERIMENTAL DO MUNDO

Lisboa, 18/6/1992

Se o Japão está a colonizar o mundo ocidental, incluindo os Estados Unidos, que estrebucham nas suas mãos, há uma hipótese de explicar o fenómeno expansionista dos nipónicos que não coincide com nenhuma das explicações oficiais apresentadas pelos economistas, políticos e outros ideólogos do aparente.
A causa que todos temem apontar é uma: a vingança do Japão está chegando aos EUA, que mandou, em 6 de Agosto de 1945, despejar a bomba atómica sobre Hiroxima e Nagasaki.
Segunda hipótese de ficção: Hiroxima e Nagasaki foram o primeiro e maior laboratório experimental do Mundo de ecologia humana. Resta saber - ainda como hipótese de ficção científica - se as catástrofes do terror tecno-industrial não serão, todas elas, laboratórios das chamadas ironicamente ciências humanas. Que a ciência das relações entre homem e ambiente avança a passos largos a cada desastre, a cada catástrofe, a cada queda de avião, a cada nova explosão, a cada nova fuga de reactor nuclear, (...) isso é um facto.
Ficcionemos, pois.
----
(*) In «Diário de Notícias», 6/8/1981

2006-02-12

ECOLOGIA HUMANA 1995

12366 caracteres - nc-0>

Chave para inéditos AC de 1983 - Regressos - Notícias da Clandestinidade -> Notícias do Terror -> Os Silêncios que Falam -> Manifesto dos silenciamentos

OS SILÊNCIOS QUE FALAM

12-2-1995
I
Nove milhões de portugueses, na maior parte trabalhadores, devem ignorar que existe, em Portugal, uma Caixa de Seguros de Doenças Profissionais. A doença no local de trabalho, de facto, foi, é e continua a ser assunto verdadeiramente proibido e tabu. Tema tratado, pela primeira e última vez, em reportagem de «A Capital», publicada em [---], seria o momento de regressar a ele, se o ambiente não fosse cada vez mais contrário e hostil a factos e à verdade dos factos. Quando a demagogia sobre a chamada «saúde» sobe em Portugal, valeria a pena - se valesse - correr o risco de perseguição e linchagem, só para mostrar que os verdadeiros problemas da saúde em Portugal, com todas as instituições aos gritos, continuam silenciados e rodeados de silenciamentos. A notícia sobre seguros de doenças profissionais, é, portanto, mais uma notícia da clandestinidade.
Como tantas outras notícias que a gritaria das demagogias silencia.
+
24 caracteres - nc-1> eh-eh> dicionar>

# O MUNDO DA ECOLOGIA HUMANA # NOTÍCIAS DA CLANDESTINIDADE - PERGUNTAS DISPARATADAS

Se eu inventasse um dia uma máquina para medir o «crime» de certos anúncios alimentares da televisão, acha que alguma empresa iria comercializar o meu invento?
Se eu inventasse uma máquina capaz de provar que o fogão mirocoondas (retirando o electromegnetismo dos alimentos) é pré-cancerígeno, acha que a Miele iria comercializar o meu invento?
Se eu inventasse um detector de radiações e lhe chamasse Contador Geiger para medir, em casa e nos locais de trabalho, as radiações ionizantes, acha que a Apifarma me iria patrocinar o invento?
Se eu inventasse um aparelho capaz de medir, de analisar, nos cabelos humanos, o nível de metais pesados (cádmio, mercúrio. chumbo) no organismo exposto às poluições químicas, acha que a CIP iria promover na FIL 93 o meu invento?
Se eu descobrisse um aparelho que lesse na consciência das pesoas o seu grau de sinceridade, acha que o KGB iria patrocinar o meu invento?
Se eu amanhã descobrisse com o pêndulo a técnica divinatória do diagnóstico, revelando a presença de radicais livres no organismo provocados pela poluição industrial, acha que o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos iriam formar [?]
+
chave para inéditos AC de 1987 - 1512 caracteres nc-4> diário> Inéditos 87

Lisboa, 3/1/1987

Notícias da Clandestinidade - QUE FALTARÁ AINDA INSTRUMENTALIZAR?

A característica dominante dos partidos é utilizarem em proveito
próprio e das suas estratégias de poder mais ou menos ligadas e
blocos imperialistas e a variados internacionalismos ou seitas
multinacinais, tudo quanto mexe e de qualquer modo pode sucitar os
sentimentos fraternos ou humanitários das populações. Os fins
transformam-se em meios e os meios transformam-se em fins - o que
significa maquiavelismo. Quando se usam pessoas, sentimentos, causas
ou ideais, está a praticar-se um acto de prostituição.
Instrumentalizar tudo o que é nobre, livre, bom, ou humano, tornou-se
prática corrente dos partidos ao serviço de blocos hegemónicos. Eles
são os primeiros a prostituir os valores em que dizem acreditar. De
facto, que faltará ainda instrumentalizar? A voracidade dos partidos,
no entanto, vai para os movimentos sociais que se possam esboçar em
defesa das várias classes, condições, situações vividas e sofridas
pelo cidadão:
Beneficiário
Consumidor
Criança
Deficiente
Inquilino
Lumpen proletariado
Munícipe
Peão
Reformado
Terceira idade
Utente

No singular, instrumentaliza-se:
- A Paz
- A Pobreza
- A Liberdade
- A Criança
- A Juventude
- A Terceira Idade

No plural, instrumentalizam-se:
- Os direitos do trabalhador
- As necessidades mais justas e prementes do cidadão
- As necessidades de reformados e desclassificados
+
chave para inéditos AC de 1962-1974 - 4538 caracteres nc-6> diário> cancro74> (Continuação)

MANIFESTO DOS SILÊNCIOS # NOTÍCIAS DA CLANDESTINIDADE

1962-1974: 12 anos de notícias sobre o cancro

ANÁLISE DE UM DISCURSO MISTIFICADOR QUE SE ESTÁ REPETINDO IPSIS VERBIS PARA A SIDA
[quatro páginas dactilografadas:]

CAUSAS LÓGICAS EM FACE DO VÍRUS (OU «CAUSA ABERRANTE»):

Depressões como causadoras de cancro (6/8/1967)

Se mesmo os fumadores não querem reduzir o número de cigarros que fumam, não poderão os fabricantes reduzir as doses de matérias nocivas dos cigarros?

Casos de cancro relacionados com a pílula conceptiva(31/1/1971)

O fumo do tabaco contém um agente que provoca o cancro (11/12/1971)

Alarmante o ritmo do aumento do cancro nos Estados Unidos-experimentados por ano 300 a 400 de 200 OOO novos produtos químicos (10/3/1972)

Menor do que se cria o perigo das radiações sobre as funções genéticas (9/9/1971)
*
INCREMENTO DA LEUCEMIA: 1965-1971:

E os rebentamentos atómicos na atmosfera? E as chuvas radioactivas de Hiroxima? E os mil novos produtos químicos todos os anos? E os medicamentos «leucemizantes»?

A leucemia ameaça o gado bovino (18/4/1967)

Aumentaram no mundo inteiro as percentagens de mortalidade por leucemia (22/6/1966)

Era um fabricante de ilusões o «biólogo» Naessens que «curava» a leucemia e por isso começou a ser julgado em Paris (4/5/1965)

Próxima descoberta de uma vacina capaz de proteger os seres humanos da leucemia (7/7/1971)

Leucemia e cancro em percentagem perturbadora entre aqueles que eram crianças quando do ataque a Hiroxima (30/7/1971)
*
A TESE ABERRANTE DO VÍRUS:

Em Moscovo - um cientista americano confirma que o cancro é provocado por um vírus (26/7/1962)

Contra o Cancro: um novo antibiótico, a Bleomicina (6/10/1968)

Vacina eficaz contra o cancro? (16/10/1969)

O vírus puro do cancro isolado na Colômbia (11/11/1969)

Abrem-se novas esperanças a centenas de milhares de cancerosos - Podem começar as pesquisas de nova vacina (5/12/1969)

É de grande importância a descoberta de um vírus do sarcoma no homem (5/12/1969)

Isolado o vírus do cancro humano (9/12/1969)

Vacina contra o cancro experimentada com êxito em animais (25/11/1970)

Isolado um vírus humano causador do cancro? (6/12/1971)

Cientistas procuram descobrir se o cancro é provocado por vírus ou por acção química (15/11/1972)

Origem virosa do cancro - Cientistas soviéticos de acordo com os americanos (20/1/1972)

Um vírus dormente na origem do cancro do seio? (15/6/1972)

O cancrodos animais é causado por vírus - diz peritoda OMS (7/9/1972)

Cientistas isrelitas cultivam um vírus esquivo que poderá ser o causador do cancro no seio (4/2/1973)

Vírus do exterior parecem ser a causa do cancro (25/2/1973)

Médicos italianos descobrem a ligação entre um vírus e o cancro das membranas (24/3/1973)

Poderá o cancro ser causado pelo vírus da gripe? (24/3/1973)

ICB 119 - Nova arma contra o cancro (1/6/1973)
*
UM CERTO GOZO

Um certo gozo sádico acaba por se instalar no discurso debitado pelos cientistas:

Mudanças de sexo provocam cancro (12/4/1968)

Era já este o prenúncio da ignóbil «doença sexualmente transmissível» em que viria a transformar-se a sida-espectáculo, a sida-progrom, a sida-caça às bruxas, a sida-promoção da indústria de preservativos?

Também surge um discurso entre o gozo sádico e o sério:

Imunizar doentes com o sangue de antigos cancerosos (7/4/1973) discurso onde, além do actual vampirismo médico, se patenteia a mentalidade mais do que medieval de uma ciência paranóica e totalmente pervertida.
*
CANCRO: MÉTODOS LÓGICOS PARA A TERAPÊUTICA:

Regime de fome - um novo método (?)

Descoberta de plantas com propriedades anticancerígenas (26/7/1972)

A grande batalha da ciência médica - Nas florestas do Quénia árvores «Maytenus» contêm um produto químico anticancerígeno (5/1/1973)

Dermatologistas afirmam : algumas lesões cutâneas são sintomas de cancros (25/5/1972)

Congresso de Veneza - alguns cancros internos manifestam-se por lesões na pele (25/5/1972)

A vitamina A cura o cancro? ( 15/7/1970)

Ondas electromagnéticas curaram ratazanas em que haviam sido enxertados tumores cancerosos e leucemias (?)

O sadismo do aleatório revela-se em anúncios fraudulentos como este: Dentro de um ano haverá no mercado um teste para detectar a presença de cancro nos seres humanos (19/5/1973)

A descoberta do veterinário farmacêutico de Córdova - Nova arma contra o cancro? (30/3/1968)
+
chave para inéditos AC de 1984 - 2371 caracteres nc-7> Regressos & Silêncios -
Texto de 1984 -> Restos -> Dez anos depois -> Notícias da Clandestinidade -> Temas de Ecologia Humana


OS CRIMES DE PERIGO COMUM NO NOVO CÓDIGO PENAL DE 1982

A pena de prisão até seis meses ou multa até 50 dias, prevista no artigo 148 do
Código Penal de 1982, tem atenuantes, desde que o «agressor» seja médico e que as «ofensas no corpo ou na saúde» provocadas «no exercício da sua função» não causem doença ou incapacidade para o trabalho por mais de 8 dias.»
«Intervenções e tratamentos médico-cirúrgicos», matéria contemplada no artigo 150º do Código Penal, também despenalizam substancialmente a medicina:
Conforme refere o artigo 150º, «as intervenções e outros tratamentos que, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina,se mostram indicados e foram levados a cabo, de acordo com as «leges artis», por um médico ou outra pessoa legalmente autorizada a empreendê-los com intenção de prevenir, diagnosticar, debelar ou minorar uma doença, um sofrimento, uma lesão ou fadiga corporal ou
uma perturbação mental, não se consideram ofensas corporais. »
[publicado]: Os «crimes de perigo comum» previstos no novo Código Penal de 1982, relacionam-se directamente com a segurança quotidiana do cidadão, devendo o consumidor conhecer este texto legislativo fundamental que eventualmente o poderá defender... Especificando esses «crime de perigo comum» em duas secções -
«a) incêndios,explosões, irradiações e outros crimes de perigo comum;
b)dos crimes contra a saúde» - o novo Código Penal de 1982, integrou na legislação
portuguesa conceitos e factores respeitantes à «qualidade de vida»que ainda há três décadas eram novidade...
Considerado, assim, bastante «evoluído» no contexto jurídico europeu - por integrar conceitos e factores já com algumas décadas de história... - o Código Penal publicado no «Diário da República», I série, em 23 de Setembro de 1982, anda ainda a ser estudado pelos técnicos, não tendo chegado à opinião pública naqueles capítulos que mais directamente a podiam interessar na medida em que mexem com a nossa intergidade física imediata. De facto, o novo Código Penal, é um dos textos jurídicos portugueses em que os direitos do cidadão foram minimamente lembrados. Significativo é que, 11 anos depois da sua publicação oficial, ninguém se lembre disso: já ou ainda?
[transcrevemos os artigos referentes à secção II do já referido capítulo III - Dos Crimes de Perigo Comum ]
+
1272 caracteres nc-8>

-> LICA -> IDF -> Notícias do crime médico -> Notícias da Clandestinidade -> O Gulag dos Silêncios -> Os Silêncios que Falam

Regressos & Silêncios

-IATROGÉNESE: homem cobaia da medicina

-Há experiências «laboratoriais» com doentes em meio hospitalar?

-Existe para aí uma comissão de Ética?...

A rapidez com que os medicamentos são testados e o número vertiginoso de especialidades farmacêuticas que todos os dias entra no mercado, torna óbvia esta necessidade: os medicamentos são testados na sua aplicação pelo médico ao doente. Como se chama esta situação? Como deve ser julgada etica e juridicamente? O poder médico justifica tudo? Será o «cobainato» mais lícito do que o Aborto e a Eutanásia?
As experiências conhecidas praticadas em condenados à morte ou em presidiários condenados a prisão perpétua confirmam que a prática da «cobais» não é uma ficção nem uma excepção. A própria essência da ciência experimental autoriza e fomenta essa prática. se se trata de ciências humanas, é lógico que a experimentação se faça em seres humanos. Experiência laboratorial com medicamentos receitados a doentes é ou não é praticada e é ou não reconhecida oficialmente? Há casos em que o médico já tem perguntado aos familiares do doente ou ao próprio se autorizam a experiência.
***

2006-04-28

SILÊNCIOS 2001

súmula-1- Síntese das sínteses – os dossiês do silêncio – itens do prefácio – chave ac – 1982/83

«OS DOSSIÊS DO SILÊNCIO» 
ITENS PARA O PREFÁCIO

28-04-2001 - As listagens que passei no scanner e a seguir imprimi, servem de recapitulação de matéria dada até 1982/1983, data provável deste empreendimento que classifiquei, no original, como síntese das sínteses, espécie de súmula ecológica do que fui debitando na Crónica do Planeta Terra. Para um desmemoriado como eu, serve também (e muito bem) para me ir lembrando de alguns nomes-chave, de algumas datas e até de algumas CPT mais dignas de serem passadas no scanner. Serve também como panorama dos itens que deverei contemplar no possível prefácio-resumo do livro a que (quase definitivo) chamarei «Os Dossiês do Silêncio» . É o que melhor encaixa num conjunto heterogéneo: ou então, «Diário de um Idiota» (mais geral) ou Mein Kampf (mais geral ainda). Não esquecer que a holística e o consumidor de medicinas, bem como os yin-yang serão volumes à parte e em parte já mais avançados do que este «Os Dossiês do Silêncio» que só agora, com o scanner, me encorajei a fazer. Sabe-se lá quando perderei a coragem: são 10 anos, todas as semanas, de CPT: é muita CPT para a minha camioneta.

ACUSAÇÕES (QUASE SEMPRE IMPLÍCITAS) À ECOLOGIA HUMANA

Denunciando a face infernal do paraíso tecnológico é industrial, a Ecologia Humana é irritante e enfadonha, desmancha-prazeres face à opinião pública

Chegando na fase do "facto consumado", quando as novas tecnologias se verificam finalmente poluentes mas entretanto já invadiram todos os locais habitados, a Ecologia Humana limita-se a inventariar os malefícios dos benefícios tecnológicos, pelo que é também assimilada com a imagem do conformismo, "sopas depois de almoço"
Nada podendo fazer para inverter ou substituir uma situação irreversível e totalitária, a Ecologia Humana é muitas vezes vista como conivente com os patrões da sociedade industrial

Ao apontar a face infernal do paraíso tecnológico, a Ecologia Humana é irremediavelmente considerada reaccionária e impopular, funcionando como inimiga do trabalhador e até do movimento sindical, já que só prevê doenças e desgraças onde, até agora, por via de as ignorar, o trabalhador supunha ver só saúde e segurança

Ao fixar como seus laboratórios experimentais, as datas negras como Hiroxima, Seveso, Three Mile Island, Chernobyl, Bophal etc. a Ecologia Humana cria fama de agoirenta e de só reter a parte negra da realidade

Com efeito, a Ecologia Humana como ciência, só pode experimentar as suas leis quando os desastres industriais acontecem: é natural que a considerem necrófoga e, além do mais, sádica, e que muitos dos desastres possam mesmo ser atribuídos a ecologistas militantes que os provocariam para a Ecologia Humana, como ciência , progredir

COMPONENTES DA ABJECÇÃO

A marca irreversível e totalitária das chamadas inovações tecnológicas, que só se reconhecem poluentes e prejudiciais depois de terem invadido o Planeta
A doença de todas as doenças chamada Trabalho
O sistema que vive de ir matando os ecossistemas
O efeito-estufa dos discursos oficiais dominantes emanados de poderosas organizações internacionais (sem brecha) como: OMS, FAO, OMM, UNESCO

AS ILUSÕES DO APOCALIPSE

1ª ilusão - A tecnologia pesada e poluente resolve todos os problemas
2ª ilusão - Os homens podem ser indefinidamente escravizados, espoliados e enganados
3ª ilusão - Os combustíveis fósseis são inesgotáveis como inesgotáveis são os recursos naturais renováveis da Biosfera
4ª ilusão - Não há limites para o crescimento industrial e económico, o desenvolvimento é infinito, exponencial e logarítmico
5ª ilusão - A ciência experimental - espécie de alta autoridade de última instância - incarna o dogma e representa a verdade absoluta

AS PRAGAS DO APOCALIPSE

A desinformação da Informação
A economia baseada no desperdício
A medicina que provoca doenças
A energia nuclear que gasta mais electricidade do que aquela que produz
A radioactividade que trata cancros provocados por radioactividade
Os radioisótopos usados em estudos de Ecologia experimental
O acidente máximo impossível que já foi possível várias vezes em 10 anos
O falado progresso que se caracteriza por taxas de suicídio à média de um por dia (Japão, ver eco datado 80)

REGRAS DE FUNCIONAMENTO DA ABJECÇÃO

O sistema só reage e toma medidas contra qualquer fenómeno de biocídio (morte rodoviária, por exemplo) quando esse fenómeno começa a pesar no Orçamento de Estado ou nos lucros das empresas (e) seguradores.
(Ver CPT, "As Outras Olimpíadas", 22.3.80)

TRUQUES DO DISCURSO TECNO-ABJECTOCRATA:

O truque do eufemismo ( poluição em vez da palavra "merda", por exemplo)
O truque da controvérsia para discutir o crime declarado (crime nuclear, pesticida, antibiótico, etc.
O truque do segredo de Estado para escamotear informação sobre o terror etnocida que dizima a humanidade
O truque do preço a pagar pelo que chamam eufemisticamente progresso
O truque do"não fomos nós foram os comunistas" ou "não fomos nós , foram os americanos"
O truque de caricaturar o realismo ecologista (o único irredutível a caricaturas) sob a forma dos seus diversos equívocos (ambientalismo, escutismo, amor à Natureza, defesa do património, protecção das espécies, anti-lixo urbano, anti-poluição, etc.)
O truque de considerar a priori "impossível" o acidente máximo possível
O truque "democrático" (entre aspas) dos referendos manipulados pelo poder
O truque de silenciar factos, para que os factos assim não existam

CRISE PLANETÁRIA-VECTORES PRINCIPAIS:

guerra dos cereais
" do clima
" da chuva manipulada
" sísmica
" da mega-engenharia
" dos tufões modificados
" da desarborização (chuva ácida)
" da fome provocada
" química
" biológica
" da engenharia genética

CRISE PLANETÁRIA-GRANDES REGIÕES DA BIOSFERA EM ESTADO CRITICO:

Amazónia
Antártida
Aveiro
Falha de Santo André
Mar do Norte
Mediterrâneo
Pântanos de Foz
Setúbal
Sines
*
A CRISE PLANETÁRIA - LINHAS DE ARRUMAÇÃO (SACOS-DOSSIÊS)

Apocalipse
Balanços do Terror
Biocídio
Bophal
Cenários 2000
Chernobyl
Datas de Ecologia Humana
Datas-desastre - 1980
Datas-desastre - Notícias
Datas-Desastre (Fotos)
Desastres Industriais
Espanha 82
Etnocídio
Explosões
Filmes-desastre
Fugas-Radiações
Hamburgo 84
Hiroxima
Horror (Imagens)
Ixtoc Um
Love Canal
Megaplanos
Oceano assassinado
Ozono
Reactores-acidentes
Recursos naturais
Referendos s/ nuclear
Sahel
Sindroma sísmico-nuclear
Three Mile Island
Vietname
***

2006-05-16

APOCALIPSE 1972

1-12 - 73-05-16-ie-et> = ideia ecológica = entrevista testamento - sexta-feira, 29 de novembro de 2002-scan

DO POLÍTICO AO APOCALÍPTICO(*)

[(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado , com o pseudónimo de A. Mendes Pereira, no livro «Os Últimos Dias da Terra», nº 2 da colecção Dossier Zero, Editora Arcádia (Lisboa), Junho de 1973, data da tipografia]

I

[Junho de 1973] - Usado pelos autores de ficção científica, o método de levar às suas lógicas e inevitáveis consequências as premissas da sociedade tecnológica actual, pode servir, melhor do que nenhum outro, para evidenciar o absurdo dos seus absurdos, dos seus crimes, dos seus mitos e vícios.
Curioso é que os órgãos mais avançados da inteligência bem pensante, ditos esquerdistas e, quiçá, revolucionários, nem a esses absurdos assim evidenciados dedicam alguma atenção, certos como estão de que tudo marcha no melhor dos mundos possíveis. Mas mesmo os que criticam (poucos e a medo, não vão as universidades expulsá-los ou as ordens profissionais excomungá-los) esquecem-se de que estão apenas perante a fase praroxística de uma lógica e de um processo que vem de trás e de muito longe.
Três exemplos tenho hoje à mão para ilustrar este «método de demonstração pelo absurdo».
Um deles tem sido divulgado em capas de magazines sensacionalistas: exibem-se grupos de máscara aperrada ao rosto, dizendo-se que é a próxima defesa contra as poluições. Afirma-se isto nas calmas e no firme propósito de vir a industrializar as máscaras... Assim será, inevitável, fatalmente e, por muito que a princípio nos custe a crer, basta que mais dois ou três magazines insistam no projecto, para nos mentalizarmos todos e aceitá-lo quando chegar o momento de o ...comercializar. Cá estamos, os consumidores, para o adquirir. É o progresso, Progresso obriga, progresso manda e ninguém pestaneja à hipótese de uma humanidade de «mascarados» rodeada de poluição por todos os lados. Mas esta é apenas uma das hipóteses impostas pela tal lógica exponencial do chamado crescimento económico, do desenvolvimento tecnológico e que só não chega a ser terrífica porque é simplesmente humorística.
Outro exemplo vamos colhê-lo em transcrição de um folheto publicado pelo Departamento de Agricultura dos E. U. A. É verdade que o folheto insurge-se contra os fanáticos negociantes da fluorização, um negócio chorudo mas óbvia e escandalosamente criminoso. O escândalo é de tal sorte, que até o Departamento da Agricultura protesta.
«A poluição industrial do ar pelo flúor, bem como da vegetação e da água dá em resultado prejuízos incalculáveis no gado, nas colheitas e nas pessoas.»
Quer dizer, o que constitui um poluente activíssimo e pernicioso - flúor - está em uso e continua a ser defendido, com unhas e dentes, por negociantes que o «fabricam», como «medicamentação» aplicável à água de consumo público. Não satisfeitos com este abuso perfeitamente legal, o Serviço Nacional de Saúde dos E. U. A. já anuncia que a fluorizaçâo prepara apenas o caminho para outras «medicamentações». Psiquiatras e psicólogos admitem a possibilidade do uso de medicamentos para controle de nascimentos, na comida e na água.
Num simpósio de sábios, um psiquiatra sugeria: se se adiciona flúor à água tendo em vista a saúde dos doentes, porque não adicionar Lítio que controla estados de espírito fora do normal, uma vez que se provou exercer o lítio efeitos consideráveis nos sentimentos normais do homem?
Quando o crime raia os limites do absurdo, já não é terrível mas apenas ridículo. Vemos então as profundas afinidades que ligam humor e terror.
Outra notícia chega-nos, subreptícia, pelo canal de Le Nouvel Observateur, o semanário bem pensante da esquerda francesa.
«Vacina anti-atómica - anuncia e descreve:« se a população for devidamente treinada, um terço dos franceses terá oportunidade de escapar a um bombardeamento atómico da França.
«Estando hoje estabelecido que o mais perigoso, numa explosão atómica, não é a conjugação dos efeitos térmicos e mecânicos mas a das radiações ionizastes cuja acção é diferida e invisível, eis que uma vacina ou droga poderá permitir suprimir a nefasta acção das radiações, um remédio permitirá evoluir num meio total ou parcialmente irradiado, sem nenhum perigo para o organismo... Tudo isto afirmam os peritos militares.»
E - acrescenta Le Nouvel Observateur, não muito a sério mas não muito a brincar - «quando um militar sonha, há sempre um cientista para transformar esse sonho em realidade.»
Tal notícia não necessita, creio eu, comentários. Aliás, a moralidade de órgãos como Le Nouvel Observateur para criticar tais absurdos também não é grande. Necessita-se de um ponto de partida mais profundo para contestar determinados mitos e esse ponto de partida não é o esquerdismo contemporizador desse ou de qualquer outro semanário comprometido com o Sistema, com o terror industrial.
Mitos como este da vacina anti-atómica, ou aquele da medicamentação da água para limitar nascimentos, ou aqueloutro das máscaras antifumos, pertencem todos ao ciclo de uma rotina que órgãos bem-pensantes como Le Nouvel Observateur não contestam: a rotina sintomatológica, raiz de todos os crimes, quem há aí para criticá-la?
Se há doença, dá-se vacina. Se há meio deteriorado, medica-se. Se há órgãos podres, transplantam-se. Se há um ecossistema transformado em cloaca, fabricam-se máscaras e deixa-se ficar a cloaca e o pessoal lá dentro. Remendar, conformar, melhorar o mal, reformar - que outra tem sido a conversa, mesmo dos mais contestatários?
Que outra coisa - senão um repugnante reformismo-conformismo - revelam todos esses sintomas paroxísticos de uma mitologia que os vem revelando de há muito?
Preconizar uma terapêutica medicamentosa para uma dor de cabeça ou para a limitação dos nascimentos, é apenas questão de grau: ambos, porém, são reformismo.
A tal nível de contestação global não chegam ainda os órgãos da intelligentzia bem-pensante. Por isso clamam que a poluição é um problema político, sem saberem que estão a dizer menos e mais do que é a verdade. A poluição com efeito, não é uma, questãozinha política ao nível de blocos, regimes, ideologias, ao nível em que se dirimem as questões diplomáticas político-ideológicas da rotineira coexistência e seus derivados. A poluição é realmente uma questão política mas de política radical, de política revolucionária, de política planetária ou antropolítica. Ultrapassa, claro, as questões ronronantes (reformistas) de blocos que se «combatem» sobre o corpo-mártir da Indochina mas que se intervisitam depois, nos respectivos salões de baile, se beijam e abraçam.
Só a substituição desta civilização (desta cultura) por outra é démarche radical, revolucionária, antropolítica. O que as políticas de blocos e ideologias pretendem é reformar o querido Sistema, a querida civilização, não é substituí-lo.

POLÍTICA DO HOMEM

Assim, transpolítica, política planetária ou antropolítica são apenas e claramente sinónimos de Contra-Cultura, de Contestação Radical, de Política do Homem e, portanto, de utopia.
Desabituados de pensar o homem em termos de Utopia, porque foi tarefa secular da porcaria racionalista desacreditá-la, fazendo-a sinónimo de fantasia quimérica, de impossibilidade romântica, de inacessível e inexequível, a poluição teve o grande mérito- de nos atirar repentinamente contra o inacessível da Utopia. Queiramos ou não, quando as coisas chegam aos tais extremos absurdos - de que descrevi apenas três exemplos - o dilema é Utopia ou Morte. A Utopia será a única maneira de escapar à catástrofe. Pensem-se, imaginem-se alternativas utópicas e por mais impensáveis, fantásticas, inverosímeis que elas sejam hoje, tenhamos a certeza de que serão a realidade de amanhã.
Fatal, inevitavelmente. Tão fatal, inevitável e irresistivelmente como a ciência nos habituou a considerar os seus mitos. Quando se preconiza uma vacina anti-atómica, a medicamentação da água de consumo público ou as máscaras de aperrar aos narizes, tenhamos não só a certeza de que a Utopia ( quer dizer, substituir esta por outra Civilização, esta por outra Cultura) é inevitável como está incrivelmente perto de nós e já em curso.

II

UMA CIVILIZAÇÃO MORTAL

12-8-1972 - Se todas as civilizações são mortais, não há razão para que esta - tecnoburocrática - escape à regra e fique cá para tia.
E assim é que se lhe prevê um lindo funeral, um relativamente curto período para dar as últimas. O comandante Yves Cousteau - autor de filmes "fantásticos" sobre a fauna e flora submarinas - um dos homens que cometeram o hediondo crime de amar a Natureza, não lhe dá mais do que 50 anos. E bastante atribulados. Calcula-se o que será o estrebuchar de um animal tão corpulento...
Também os funcionários do sistema,- até há pouco todos clorofila, todos sorrisos, todos optimismo, toda a vida inspirados no tio Pangloss, embebidos nos seus mitozinhos caseiros, também esses e até esses, que classificam de histéricos os "defensores da Natureza", começam a reconhecer que, pelo lindo andar da carruagem, já pouco tempo fica para eles beberem os seus uísques nos seus simpósios internacionais.
Mesmo com o risco de perder o emprego, os Sicco Mansholt cá do sítio têm andado eufóricos a descobrir a pólvora e a dizer o que os poetas e profetas de todos os tempos já tinham dito e redito.
Temos assim esta civilização do lixo (e do luxo), esta civilização do desperdício, esta opulenta e orgulhosa civilização que andou séculos a dominar a natureza e a combater (ora era um bacilo, ora era um vírus), a caçá-la (ora eram lebres, ora eram elefantes), a destruí-la (ora eram sardinhas, ora eram golfinhos) perto de dar a alma ao criador, diagnosticado o cancro pelos melhores merceeiros e clínicos da especialidade, que lhe prognosticam assim repouso e caldinhos (de galinha).
Poluída até ao pescoço, falta agora que a poluição suba até às orelhas, ouvidos, olhos e boca. Se lhe tapam a boca é o fim, numa civilização que viveu toda a vida de meter à boca e encher o bandulho. Depois, as formigas que cá ficarem, lhe farão o funeral.
Até há pouco tempo era clássico na ficção científica o apocalipse termo-nuclear e alguns narradores empenhavam-se a imaginar lindas cidades arrasadas por úteis bombardeamentos atómicos. A ficção científica foi ultrapassada por aquilo que, há dez anos, ninguém previa (ninguém dos espertos cientistas). Nesse lapso de tempo, o ar tornou-se irrespirável, a água, imbebível, as terras e os alimentos contaminados por toda a casta de organoclorados recomendados pela F.A.O., de modo aos famintos morrerem mais devagar e aumentarem, em paz, a fertilidade de novos famintos.
De absurdo em absurdo, de crime em crime, de vício em vício, esta civilização que transplanta fígados, corações, rins e (ameaça) cérebros, não terá Barnard nenhum que lhe enxerte víscera vital nenhuma. Há-de morrer às próprias mãos e com todos os santos sacramentos.
A nós, "histéricos defensores da Natureza", que nos resta?
Rir da anedota, preparar os crepes para o funeral, inventar alternativas de sobrevivência fora do pântano e meter o cadáver no fosso mais fundo, de onde o seu fedor não venha empestar o ar, nem aborrecer mais ninguém.
De facto, esta civilização cheira mal. Em todos os tempos o disseram profetas, poetas, artistas, músicos, homens que pelo radar da sensibilidade e da imaginação logo viram tratar-se de uma estrutural vigarice e compreenderam os mitos, erros, crimes, vícios do Raciocínio arvorado em dono e senhor, omnipotente, omnipresente e omnisciente ditador.
A nós, que apenas vemos confirmada a profecia, a nós, "histéricos defensores da Natureza", que resta?
Acreditar talvez na última safa: persistirá o "homem eterno" para lá de mais este acidente chamado civilização? Mesmo que só fique sobre o globo uma formiga, há quem acredite na cultura mais antiga da terra - a chinesa -, há quem acredite nos golfinhos, há quem acredite em todos os índios ainda não exterminados, há quem acredite nas tribos australianas ainda não contaminadas pelos melbúrnicos, há quem acredite nos indígenas do Amazonas antes que a Transamazónia acabe de os exterminar, há quem acredite nos "hippies" e no seu neo-tribalismo, há quem acredite em Lanza del Vasto e em Danilo Dolci, há quem acredite - até - no socialismo libertário, nos falanstérios fourieristas, há quem acredite nos extra-terrestres que continuam a vigiar o nosso sono e a ser matéria dos nossos sonhos.
Tudo Utopia: - dirão os porcos do costume, dirá qualquer funcionário da querida civilização, já com a máscara anti-fumos aperrada ao focinho.
Pois é, sempre foi e há-de ser Utopia, enquanto houver porcos desejando reduzir a existência, o mundo e o Cosmos à sua Porcaria. Utopia foi sempre toda e qualquer tentativa, toda e qualquer alternativa para sair sobrevivente desta civilização que se caracteriza pelo totalitarismo totalitário. Daqui ninguém sai e quem tentou sair (os Artaud, os D. H. Lawrence, os Guénon, os Henry Miller) por sua conta e risco, levou para tabaco.
Enfim, há quem acredite na aproximação e diálogo de civilizações exógenas, sempre tão vilipendiadas, sempre tão acusadas de fome, de pobreza, de inactividade, de pauperismo, de doenças: De doenças, céus! Esta civilização de Morte tem o arrojo e descaramento de criticar a Miséria em outros continentes, e a Doença como se não fosse ela um pântano de Morte, de Doença!
Além de que para as outras civilizações, quem exportou para lá a pobreza, a fome, a miséria e as doenças? Quem?

III

SOBRINHOS DE PANGLOSS

Há sempre os optimistas, sobrinhos de Pangloss, que esquecendo as notícias do Fim e as trombetas do Apocalipse, fazem lindos «planos para o futurou.
De facto, os vários alarmes que têm soado ultimamente sobre os poucos anos de vida que esperam a civilização conhecida por «civilização do lixo» ou do desperdício, não impedem os optimistas de continuarem a planear, a programar, a projectar, a prometer, como se tudo continuasse à espera deles, e à sua frente, calmo, sem prazo e com horizonte indefinidamente desimpedido. Embora sejam os próprios cientistas que começam a diagnosticar o mito do crescimento infinito e ilimitado, a maioria dos cronistas continua enlevada com o que se há-de passar daqui a ?0 ou 80 ou mesmo 90 anos.
Nada mais humorístico do que visões futurológicas, do que previsões tecnológicas sem o sentido ecológico da realidade e da história. Se tudo indica que o globo será consumível e está a dar as últimas, como podem alguns futurólogos continuar pintando os paradisíacos cenários de um futuro abstracto?
Pensam alguns que os temas futurológicos conduzem fatalmente a essas visões cor-de-rosa, ingénuas, paradisíacas, inconscientes, abstractas.
Não vejo porquê. Creio que uma verdadeira consciência prospectiva será sempre mais pessimista do que optimista e que, aliada à prospectiva, só uma consciência ecológica dará consciência a qualquer previsão. De resto, tudo são mitos: mais passadistas, mais futurizantes, mitos de uma mentalidade efectivamente ultrapassada. E de uma «civilização» moribunda.

IV

1972 foi, sem dúvida, o Ano da Ecologia.
E curiosamente, o relógio português andou, nessa matéria, síncrono com o relógio europeu. Coisa rara, nunca vista e que deve sublinhar-se por significativa. A Comissão Nacional de Ambiente nasceu o ano passado, que foi também aquele em que se realizou a Conferência de Estocolmo. Este acontecimento - se aos acontecimentos nos ativermos e à face exterior das realidades- marca com efeito o início de uma nova era planetária e o fim da era nacionalista nas relações mundiais.
«A Terra é só Uma» concluíram em coro os teóricos e técnicos de várias procedências. Que a Terra ë só uma - esgotável nos seus cursos e recursos - já o vinham descobrindo e afirmando, há uns séculos largos, alguns homens, ditos hereges, loucos e fanáticos mas, no fundo, apenas «contemporâneos do futuro», que no entanto ninguém ouvia (todos fingiam não ouvir) porque não dispunham de amplificado sonora à moderna nem aparelhagem de retroversão em altos simpósios internacionais e porque, afinal, um S. Francisco de Assis, um Ohsawa ou um Walt Whitman - apenas alguns dos muitos precursores da Ecologia - não interessavam nada ao Establishment nem às mentiras de que este se alimenta. E enquanto puderam abafar a voz dos poetas (dos profetas e utopistas), assim se fez. Cuidadosamente. Sistematicamente. Acintosamente.
Em 1972, porém, um senhor chamado Sicco Mansholt, de formação agrícola, colocado num alto posto da Comunidade Europeia, pessoa de confiança dos monopólios internacionais, sonhou alto, descuidou-se, entrou em transe de confissão íntima, roeu a corda e deixou a consciência falar mais alto do que a conveniência. Numa carta ao italiano Malfatti, do Clube de Roma, escrevia o seu «grito de coração», o seu requiem (dele e da chamada glória europeia), o seu alarme, o seu aviso solene à navegação.
Escândalo! Confusão nas hostes reaccionárias de todo o Mundo, incluindo as que se autocognominam de progressivas. Ninguém queria acreditar no que seus olhos ouviam e seus ouvidos viam. Um tão solene homem de bem virava «traidor». Desmanchava o jogo. Denunciava o mito mais incrustado no Sistema e de que todos os presentes vivem, o mito do futuro e do crescimento económico infinito.
Foi o bom e o bonito. Rebentam as águas da controvérsia. De toda a parte, ordens e contra-ordens, uns pró outros contra Mansholt, outros nem assim nem assado que a gente não sabe o que vai ser e há que usar de cautelas. Usou-se de cautela. Muita cautela: Mansholt ficou no centro das opções, deslocou o centro de gravidade das zaragatas internacionais ( a dicotomia socialismo-capitalismo) para humanismo-terrorismo, civilização-barbárie, qualidade-quantidade.
Daqui o Escândalo.

ENTRE A CATÁSTROFE E A UTOPIA

Entre o desespero e a esperança, entre a catástrofe e a Utopia, o ano 1972 colocou a questão mesmo debaixo das barbas dos responsáveis: os cientistas.
Estamos tão acostumados à inércia destas academias encarregadas de promover o progresso das ciências e arredores, que a velocidade dos acontecimentos começa a espantar-nos. Há um ano, falar de Ecologia fazia empalidecer de cólera qualquer adepto do Benfica tecnoburocrático. Hoje já se pára, escuta e olha, ao ouvir a palavra «Ambiente», não vá o dianho do comboio passar por cima da gente.
Aqueles que nasceram com a Ecologia - afinal a ciência mais antiga da Humanidade, com os seus primórdios na Astrologia, depois degradada como tudo o que o comércio e a pirataria degradaram - os ecomaníacos, durante muitos anos considerados a perdição subversiva da Magna Ciência, da Sagrada Tecnologia, da Providencial Indústria e da Sacrossanta Economia, os que romanticamente insistiram no respeito à vida contra tudo o que, na Abjecção, degradou e aviltou a Vida, os que teimaram em amar as aves e as árvores, o solo e o sol, a água e o ar, os animais e as plantas, o cosmos e a célula, porque sempre souberam não haver diferença entre macro e microcosmos, entre o que está em baixo e o que está em cima, porque sabiam, inclusive, a sobrevivência da orgulhosa raça humana intimamente relacionada com a sobrevivência de toda a criatura cósmica, sem nunca perderem de vista a suprema consciência da Unidade que é a única coisa a definir-nos como seres humanos - contra a barbárie da Análise, da Dispersão, do Atomismo - tinham finalmente, os amigos da Natureza, o sorriso condescendente dos grandes senhores do Mundo, que levaram séculos depredando, estragando, desperdiçando, etc
Discursos, mesas-redondas e quadradas, artiguinhos na Imprensa, oh!, os ideólogos olharam então, no intervalo de um colóquio «extremamente importante», para o valor da qualidade, eles que se formaram em Quantidade e do Número fizeram o substituto do Espírito Santo.
A meio de 1973, ano em que a Ecologia irá ser o pão nosso de cada dia, o nosso trabalho de sobrevivência quotidiana, o ultimatum e a concordata, a esperança e a alternativa, aqui estamos correspondendo ao desafio, mas honestamente fica dito: Ecologia, para nós, não é mais uma cienciazinha académica para uns ó-ós valentes, gáudio e refúgio de senhores académicos bem diplomados e bem instalados.
Meio ambiente será para nós, nestes «balanços da civilização» ( única que tem a petulância e a arrogância de se autocognominar a Civilização, por antonomásia) ponto de partida para reflexões fundamentais sobre o Homem, a Vida, o Cosmos e o ...Resto, que é afinal onde começa a verdadeira história. Bom será que se saiba o partis-pris aqui assumido. Não se cultiva a demagogia da neutralidade.

NÃO SEI SE JÁ REPARARAM

Os próximos anos, para não dizer os próximos meses, serão decisivos para a sobrevivência colectiva do planeta Terra - bem pouca coisa, é certo, no meio da poeira cósmica, mas de qualquer modo berço e túmulo, nossa casinha e amparo. Tratemo-lo bem. E tratemos da saúde aos que querem destruí-lo.
Não sei se já repararam, mas é nele - planeta - que por enquanto habitamos. Enquanto os irmãos extraterrestres não nos arranjarem melhor berço; algures numa outra galáxia, é nele, globo terráqueo, que nascem as crianças, crescem as flores, correm as águas, os músicos compõem seus cânticos e os poetas se fartam de avisar, séculos antes, a humanidade das asneiras que a levarão ao suicídio. Vamos olhar, então, para esta terra que é nossa e é só uma? Vamos fazer aqui um esforço desesperado ( quando se desespera de tudo é que surge a Esperança) para acordarmos do letargo chamado Tecnocracia, para vivermos a verdadeira vigília da sabedoria e da vida?
Quem quiser que venha. Quem não quiser, que fique. De qualquer modo, fica claro que não fomos nós a contribuir para o lindo funeral disto tudo.

V
HIROXIMA E NAGASAKI

As bombas de Hiroxima e Nagasaki ajudaram a compreender a capacidade auto-destrutiva desta civilização e a sua indissolúvel unidade. Ajudaram a definir o território da Abjecção como Sistema, Estrutura, Establishment. Se não contribuíram imediatamente para uma autocrítica, tornaram óbvio o fim da História e ao alcance da mão humana a destruição da espécie. Isso ajudou a tornar o globo uma bola cadavez mais pequena e, nesse globo, a «civilização do desperdício» como o detonador dessa destruição.
Com o Apocalipse à vista, com um futuro a prazo, com a hipótese cada vez mais plausível da sua finitude, os mitos do «eterno progresso» e do «eterno crescimento» sofreram, como tudo o que é eterno, os primeiros safanões com as bombas de 1945.
Depois dessa data, os jornais não deixaram de noticiar os efeitos a longo prazo das radiações na atmosfera. Não só as que eram sequela das bombas, mas as que em países «pacíficos» se verificavam. Criou-se mesmo a expressão-slogan «átomos para a paz»... Em 21 de Abril de 1959, a France Presse anunciava:
«O estrôncio radioactivo nos ossos das crianças americanas duplicou durante o ano de 1957 ».
O mais curioso é que o uso do chamado «átomo pacífico» passou ao número dos hábitos ou mitos bons que acalentam o sono desta civilização. E não faltaram folhetos, reportagens, dossiers recheados de fotografias, a demonstrar que o átomo serve para tudo.
Para irradiar alimentos, por exemplo. Graças a uma campanha bem orquestrada - como são sempre as campanhas auto-apologéticas da Indústria - a opinião pública encontra-se hoje «convencida» dos benefícios que pode colher do tal « átomo pacífico», mesmo que lho sirvam à mesa. Como se encontra convencida de tantos outros «benefícios», de tantos e tantos produtos que ( simplesmente ) matam.
Quer dizer, e seguindo o circuito habitual destas coisas: sendo um dos primeiros alarmes que puseram de sobreaviso os mais prevenidos, o átomo acaba por ser reabilitado, recuperado, absorvido.
É de supor que o mesmo venha a acontecer com muitos outros malefícios que, pela magia da publicidade, se transformam em cornucópias de salutares benefícios atirados, como flores, sobre a cabecinha tonta da humanidade. Cabecinha a que regularmente se aplica uma salutar lavagem de cérebro.
O uso dos raios X é uma derivante clássica, dessa mentalização ou lavagem de cérebro e uma coisa que já toda a gente aceita, por muito que os próprios técnicos da especialidade demonstrem (no papel) a gravidade de tal uso.
A própria O. M. S., sempre na vanguarda dos grandes empreendimentos, já tem dado a conhecer os inconvenientes do emprego sistemática dos raios X e das repercussões que podem esperar-se deles sob o ponto de vista genético: as radiações ionizantes afectam as células reprodutoras.

VI

SMOG LONDRINO

Foi há onze anos, no Inverno de 1962-63, que Londres deu o alarme. 4700 mortos numa semana devido ao «smog» tiveram o condão de alertar as autoridades e, bem entendido, a opinião pública.
Os telexs trabalharam anunciando o recorde e, embora os avisos contra os perigos da contaminação já se ouvissem há bastantes anos, foram precisos para Londres 4700 de uma assentada para se pensar a sério no estado do ar respirável.
Dez anos depois ainda não tivemos em Lisboa um smog animador como o de Londres, mas vários indícios asseguram que caminhamos alegremente para uma vida melhor, quer dizer, para a industrialização e portanto para a poluição industrial a tal nível europeu.
É de 1963 livro The Silent Spring em que a escritora Rachel Carson, falecida um ano depois sem ter visto a vitória da ideia de que foi a pioneira, ainda teve tempo de lançar o alarme contra os pesticidas na agricultura. O seu livro, um dos maiores «best-sellers» do pós guerra, contribuiu decisivamente para um estado de espírito mundial que desembocaria em 1972 na Conferência de Estocolmo e ficará como o primeiro despertador que soou para a humanidade adormecida, avisando-a de que está a suicidar-se.
Seria o primeiro capítulo para a história da chamada «terra queimada» que anos depois outros cronistas iriam descrever com requintes de pormenor. Clássico da consciência ecológica, é curioso que o não esqueceu a exaustiva lista bibliográfica elaborada pela Campanha de Conservação da Natureza e Defesa do Meio Ambiente, e distribuída aos jornalistas na conferência do dia 14 de Dezembro de 1972.
Em face do êxito obtido pelo livro da escritora Rachel Carson, lembramos que o presidente Kennedy ainda teve tempo, antes que o assassinassem, de mandar organizar uma comissão de inquérito para averiguar se efectivamente a poluição era assim tanto como os poetas vinham dizendo há anos e os ecomaníacos assegurando com cada vez maior insistência.
Até então, a única arma com poder de destruição planetária era a bomba. Vinte e cinco anos depois de Hiroxima, depois da Bomba A e da Bomba H, a humanidade «civilizada» conseguia que mais três entrassem na competição para o titulo de «arma absoluta»: poluição ou bomba P, Fome ou bomba F, explosão demográfica ou bomba D, parece não faltarem hoje na bicha várias formas de a humanidade se auto-exterminar sem deixar sequer vestígios.
Mas a Poluição continua a ser, parece, a predilecta, a mais frequente e a que consegue per capita mais lindos recordes. Até ver.

VII

VALHA-NOS SÃO PROCÓPIO

O que tem sido, para aí, nos últimos meses, com leões e raposas, ultrapassa o que qualquer anedotista de vocação poderia inventar. Com o apoio solícito dos «mass media», sempre na vanguarda das grandes causas, matilhas de caçadores, às centenas, sob o pretexto de que há raposas maldosas dizimando rebanhos e criação, afrontando o ridículo tanto como o «perigoso» animal, de mira em riste, ei-los na sublime missão de efectuar batidas monumentais à bicheza selvagem.
O leão de Rio Maior teve também seus lances épicos e os dias contados em tribunal mais do que popular. A sorte dele foi não existir.
Episódios estes que ilustram, de maneira inequívoca, o amor que em certos sectores cinegéticos se vota ao animal. Então, além de paternalista, o adepto vira racista. Há animais bons e animais maus. Bom é o que se deixa domesticar, é o que serve os seus desígnios, o que se deixa abater sob o cano da caçadeira. Mau é o que escapa, o que se está nas tintas para a escravidão doméstica, o que não consente patas de homem e miudezas de vida calminha, rons-rons perto das brasas, à imagem e semelhança do homem esse animal que nenhum bicho consciente da criação desejará imitar.
Temos assim estabelecido o que é bom e o que é mau - a moral que preside a estas batidas, onde se espera ver surdir, para maior frenesi da matilha, o javali e o lince. Só que javalis e linces já os devem ter liquidado todos, a esta hora e graças a Deus.
Notícias como essas, induzem-nos a considerar que o mundo das espécies animais e vegetais continua a preocupar os humanos, ou porque chegam à conclusão ( óbvia ) de que tudo está interligado e de que a sobrevivência de uma raça está intimamente relacionada com a das outras que povoam o planeta, ou porque, amigos ou inimigos, diariamente entram em contacto e, inevitavelmente, em conflito; ou porque, pela paisagem ou por um resto de afectividade, algo continua a religar todas as formas de vida, por muito que a «civilização» tenha tentado pulverizar e dissociar o que era, dantes, o «paraíso da unidade original».
Só que...
Caça, e pesca têm ainda muita força neste tempo e mundo em que se promovem campanhas de protecção à Natureza, apenas para melhor a destruir, pilhar e depredar. Mais à vontade e sem nenhuns remorsos. Milhões de adeptos constituem uma corrente de opinião muito forte e ninguém irá contrariar homens armados até aos dentes, que se organizam em grupos de centenas...
Proteger a natureza, a fauna principalmente, é tarefa meritória para, depois, os caçadores terem rezes que lhes permitam a prática do seu desporto favorito.
Mas «protecção» (valha-nos São Procópio, advogado das chinchilas) é palavra de evidentes conotações paternalistas. Proteger porquê? Proteger de quem? É curioso assinalar que este homem ocidental e cristão, quando não está a combater qualquer coisa, está a proteger e quando não está a proteger nem a combater, está a ressonar das difíceis digestões cinegéticas...
A palavra «protecção», pois, parece-me abusiva por demais. A vida selvagem não precisa, se vistas bem as coisas ao microscópio, de ser protegida. Precisava e precisa é de que não a chateiem. E que se suspendessem, por algum tempo, as alcateias de dizimadores. De resto: quem, senão do homem «civilizado», precisamos nós de haver quem nos defenda? E quem nos proteja?
De pilhagens se entreteve o homem através das eras e não era agora, in extremis, em que a sobrevivência da humanidade está por um fio e directamente na dependência dessas pilhagens, que ele irá desistir de tais hábitos ancestrais. Já os nossos bisavós diziam: «Depois de mim o Dilúvio», estado de espirito este generalizado entre todos os que se dizem optimistas, por oposição aos « pessimistas», - diz-se - desses que não fazem outra coisa do que anunciar o Apocalipse, e escrever a sua reportagem.
Ora o que efectivamente acontece é o contrário: pessimistas raiando o pirronismo são os que fazem do Apocalipse e sua inevitabilidade o supremo alibi para as suas últimas pilhagens sem punição nem remorsos.
Optimista é o que, apesar da inenarrável estupidez humana, apesar da casmurrice - única doença incurável -, apesar das burocracias e dos imobilismos, apesar das delinquências senis que dominam o globo, apesar das chacinas e das torturas, dos homicídios e dos biocídios, dos etnocídios e dos ecocídios, apesar de todo esse panorama efectivamente pouco encorajante -diremos, se nos permitem, desmoralizaste - e efectivamente apocalíptico, guardam uma reserva, um potencial de Esperança nas minorias que modificarão por completo a face deste globo agonizante e em processo acelerado de erosão.

Optimista não é o que fecha os olhos e consuma o suicídio, não é o que mete o bico debaixo da areia para não ouvir a tempestade, mas o que abre olhos e ouvidos, inteligência e imaginação, amor e lucidez, e enfrenta o desafio do fim com igual serenidade, e consegue superar o desespero. A Esperança - em sentido litúrgico - surge quando já se perderam todas as esperanças.
O amigo da vida selvagem e da Natureza, o maníaco do ambiente, o inimigo da Engrenagem suicida, o resistente ao Ecocídio não é pessimista. Pessimista é o que afirma: «Como não há nada a fazer, vamos rir e folgar para acabar em beleza.» Pessimista é o que continua a querer convencer-se de que vive num mundo idílico, pressentindo embora e cada vez mais inevitavelmente que vive num mundo em acelerada decomposição.
Acabar intoxicado é a filosofia do novo Pírron, a que se opõe o Ecologista com um optimismo crítico e lúcido, com uma visão panorâmica e absoluta da Abjecção na sua totalidade, no seu totalitarismo global ( relativo a globo terrestre).

VIII

JOHN MADDOX CONTRA-ATACA

As acusações ao famoso relatório do M. I. T. e, de uma maneira geral, a todos os que, pelo número ou pela profecia, pela teoria ou pela prática, pela intuição ou pela dedução, pela imaginação ou pela inteligência, anunciam o Apocalipse e a catástrofe, têm pelo menos uma virtude: obrigam a definir-se os verdadeiros inimigos da humanidade, aqueles que a humanidade deve pôr definitivamente no tribunal da história.
O Apocalipse foi profetizado em todas as épocas por quantos perceberam no «sistema que rege a economia mundial» a sua raiz fundamentalmente homicida e violenta, suicida o autodestrutiva. Nada de humano e de capaz poderia criar-se num ambiente definido pelo gosto sádico da (auto-)destruição. Não faltaram os poetas, que ao longo dos séculos representaram a Resistência ao Sistema, anunciando o fim da história e do mundo.
A novidade consiste só em que hoje os profetas do Apocalipse e da Utopia se servem dos computadores para comprovar com números os factos e pressentimentos de até agora. Isto tem o condão de impressionar os funcionários do Sistema, para quem a linguagem do Número é sagrada e de cujo prestígio vivem, em grande parte, seus negócios.
Num dos órgãos mais distintos da cerebração mundial - Selecções do Reader's Digest, na sua edição em língua portuguesa de Abril de 1973 pode ler-se o artigo onde John Maddox retoma o freio nos dentes para contra-atacar as profecias do Apocalipse.
Os argumentos são conhecidos; em todo 0 caso, vale a pena analisá-los, trabalho que permite uma retrospectiva útil do nosso trabalho, marcar o ponto em que se encontra a resistência ao ecocídio e tomar o pulso aos porta-vozes mundiais da Reacção, aos panglosses dos anos setenta.
Antes do famoso relatório do M. I. T., um senhor chamado Louis Pauwels causou surpresa aos seus admiradores, proclamando um «optimismo» que, como todos os optimismos sem consciência ecológica, sem noção da catástrofe, sem dimensão abjeccionista, é uma razão mais, e a mais forte, para o pessimismo dos resistentes, que em princípio não são nem uma nem outra coisa, nem optimistas nem pessimistas.
Por muito que se acredite numa viragem de última hora, numa mutação brusca, é desencorajante ver os que, como Louis Pauwels, John Maddox, Norman Borlaug, Suvana Puma e alguns outros ilustres ideólogos, em nome do optimismo o que apenas pretendem é deitar poeira nos olhos da humanidade e obrigá-la a manter, como eles, o pescoço debaixo da areia, à espera que a tormenta passe.
Quem ilude, quem pretende iludir o povo e a humanidade não são os que, conscientes do ecocídio, profetas do Apocalipse, construtores da utopia como única alternativa para a catástrofe, cumprem o estrito dever de humanidade, pensando.
Feita a síntese de factos, movimentos e fluxos contraditórios do nosso tempo, a evidência manifesta-se aos olhos de todos. Delinquentes de delito comum contra a humanidade são os que se voltam contra os profetas do novo Apocalipse, como faz John Maddox no artigo já referido, com argumentos ainda por cima suspeitos, o que só nos obriga a acreditar que o fazem não por exigência intelectual e de coerência ideológica, não por disponibilidade e honestidade de carácter e por um propósito crítico límpido, isento, mas obedecendo a inconfessáveis interesses.
Analisemos esta 1ª parte. Até que ponto e a quem servem os artigos como o do sr. Maddox? Ricardo G. Zaldivar, na revista espanhola Triunfo ( 11 de Novembro de 1972 ) tentava provar ( e não serei eu a contestar a tese), todo apoiado em números, que a campanha contra a poluição comandada pelo capitalismo vai redundar a favor dos grandes monopólios e acelerar a tendência para a concentração, visto que só os colossos da indústria estão aptos a investir em antipoluentes. E visto que os fabricantes de antipoluentes são eles próprios, através de sucursais, filiadas ou associadas, os maiores poluidores mundiais do planeta.
É uma tese.
Porque surge então, em artigo de fundo dum órgão defensor de capitais como é o Reader's Digest, um senhor John Maddox nada interessado em fazer o jogo dos antipoluentes e do relatório do M. I. T. que é deles a cobertura pseudocientífica, estatística, informática?
O artigo do Reader's Digest - eis a hipótese de trabalho que proponho - serve um capitalismo (ainda) não monopolista, serve os milhares de empresas que não têm dimensão, ainda, nem lucros para entrar na maratona dos antipoluentes, para aceitar o desafio da concentração. Agrada, portanto, aos menos poderosos mas a maior número deles.
À parte os argumentos anémicos de certa esquerda academizada, cuja esclerose se irmana na necrose dos seus métodos e da sua problemática ( essa esquerda domina ainda o panorama português da «crítica» à Ecologia), à parte os franco-atiradores, demasiado líricos para poderem ser críticos e que, sem se darem conta, alinham (por essa ausência crítica) na mesma
esclerose pseudo-esquerdizante (profundamente reaccionária), as únicas acusações que aparecem no mercado contra as preocupações do ecologista, cifram-se nessa guerra civil entre capitalismos: a pequena burguesia arrivista, liberalesca e do médio capital não gosta quando lhe anunciam o apocalipse ecológico, a catástrofe, o fim do ciclo e a explosiva madrugada da Utopia, mas os porta-vozes ou ideólogos do grande capital, no fundo, também não, porque sabem que a ecologia é problema bem mais duro de resolver do que as poluições e respectivos slogans; simplesmente finge ignorar e procura recuperar, no que pode, a acção do verdadeiro ecologista para servir os seus propósitos exclusivos de vendas de antipoluentes ao mundo.
No fundo, necrose esquerdista, reacção direitista, ou ingenuidade, ignorância, bluff lírico do centro, encontram-se todos num ponto: a recusa de radicalizar a situação mundial em termos de utopia revolucionária. Unem-se todos no reformismo: quer o dos antipoluentes, quer o reformismo que pura e simplesmente recusa o facto ecológico e julga poder ir melhorando o mal.
A recusa a radicalizar o sistema é que os distingue ( optimistas e pessimistas num molho só) dos que, nem optimistas nem pessimistas, são apenas lúcidos e conscientes. Todos os reformistas preconizam, como o sr. Maddox, o mesmo tipo de remendagem in extremis: «estes problemas» (refere-se Maddox à poluição, claro), «são passíveis de solução, num futuro previsível, se forem gastos com eles tempo e dinheiro suficientes.»
«O perigo», mastiga ainda Maddox - «é que o síndroma do Dia do Juízo provoque o contrário das suas intenções. Em vez de nos alertar para os problemas, ele dispersa a nossa atenção do trabalho que poderia ser realizado agora.»
O perigo que o sr. Maddox não diz mas em que está a pensar é que o síndroma do juízo final radicalize as atitudes e os comportamentos, é que faça desencadear uma greve geral ao sistema, é que os grupos minoritários deixem de ir ao super-mercado e num relâmpago se tornem maioritários nessa atitude de irrespeito básico contra a segurança do Sistema...
O perigo é que as alternativas ao totalitarismo do sistema abram, neste, brechas insanáveis de contestação.
O perigo é que a civilização plural dê lugar ao monopólio da verdade única.
O perigo é que a qualidade da existência seja reivindicada e que o Sistema - todo ele baseado no aviltamento quantitativo da existência humana - fique denunciado e de tripas à mostra.
O perigo de radicalizar, de insistir no Apocalipse é, de facto, que as indústrias fiquem um bocado às moscas porque as pessoas decidiram ir viver um bocadinho a ver como era e gostaram e decidem abandonar as cidades e decidem emigrar desses lugares comuns do suplício colectivista, ideais para concentrar a repressão de toda a ordem e voltam às comunas rurais, à experiência do individualismo comunitário, às soluções da variedade e da metamorfose, à agricultura biológica porque a química matou os solos e ameaça matar-nos a todos. Esse o perigo que o sr. Maddox teme e não explicita.
De notar em cientistas tão solenes é como rapidamente perdem a compostura e entram no palavrão.
Ficou famosa a intervenção do sr. Borlaug, prémio Nobel da «Revolução» verde, quando chamou histéricos aos defensores da Natureza e aos que defendem a humanização do ambiente contra a histeria dos DDT. O sr. Maddox não é menos delicado de gesto.
Referindo-se a Paul Ehrlich, considera-lhe a obra «The Population Bomb» uma «retórico furiosa». Nem mais nem menos.
Aliás, os Ehrlich não deixam de servir também ao primeiro tipo de propaganda (pró antipoluente e pró grande capital) a que aludi acima. São aliás os desta facção - meia dúzia de guardas do mundo - os mais interessados no neo-maltusianismo de que Ehrlich é expressão bastante conveniente. Para cada General Motors ou cada ITT há sempre um Ehrlich de serviço.
Lisboa, Maio/1973

----
(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado, com o pseudónimo de A. Mendes Pereira, no livro «Os Últimos Dias da Terra», nº 2 da colecção Dossier Zero, Editora Arcádia (Lisboa), Junho de 1973, data da tipografia
***

2006-06-27

GINKGO BILOBA 1996

1-2 < 96-06-27-fi> ficções - sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2003-novo word


27-6-1996

VIVEM E CRESCEM NUM JARDIM - DOIS DINOSSAUROS EM LISBOA

Texto de Afonso Cautela

Dois dinossauros do reino vegetal vivem e crescem num jardim de Lisboa, felizmente ignorados do Dr. Galopim de Carvalho. Se os descobrisse, já os tinha embalsamado e recolhido no museu da Faculdade de Ciências.
São dois exemplares da espécie Ginkgo Biloba, que se diz ter abrigado do sol escaldante os dinossaurios de há 150 milhões de anos. Lá estão calmos, não identificados, atestando que o ADN da célula vegetal é muito mais resistente à barbárie humana do que os animais propriamente ditos. E de que o gigantismo, no reino vegetal, não constitui ameaça à sobrevivência da espécie. Já todos repararam, com certeza, que uma árvore cresce para o céu, o que lhe dá uma postura idêntica mas superior à do ser humano.
Os dois Ginkgo Biloba mostram às gerações futuras que a informação primordial continua ao nosso alcance, basta ir lá com uma câmara.
Foi o que fez o fotógrafo de «A Capital», sob a condição de não identificarmos o local onde vivem, na paz de Deus, os dois magníficos exemplares.
Segundo reza a lenda, os mais velhos e estranhos Ginkgos Bilobas vivem na China, onde ultrapassam os 40 metros, atingem 10 metros de perímetro e aproximam-se dos 4000 anos.
Mas o caso mais espantoso aconteceu no Japão, em Hiroxima, depois da célebre noite de 6 de Agosto de 1945, em que os seres humanos quiseram mostrar à posteridade até que pontos de barbárie podiam chegar.
Anos mais tarde, do meio dos escombros, emergia o tronco calcinado de uma árvore. O rebento cresceu e hoje é um Ginkgo Biloba adulto, disposto a enfrentar outra bomba atómica.

Dois sexos

Diz a ciência botânica que o Ginkgo não floresce, existindo os pés femininos e os pés masculinos, que os especialistas diferenciam pelo porte da ramagem, tipo de ramificações e aspectos dos rebentos. Pela lógica da vida sexual que regula esta espécie - na fronteira entre o vegetal e o animal - tudo indica que os dois Ginkgo fotografados num jardim de Lisboa constituem um casal apaixonado e inseparável. Um bom observador poderá reconhecer o sexo do animal, esperando pelo Outono, quando as árvores femininas se cobrem de «frutos» semelhantes aos abrunhos.
Frutos entre aspas, pois, como avisam os cientistas, esta árvore não produz um verdadeiro fruto, no sentido botânico do termo mas um óvulo, mais parecido com um ovo de galinha, conjunto composto de envólucros protectores de substâncias de reserva para alimentar o embrião em caso de fecundação da célula reprodutora feminina.
A história genética do Biloba é outro espanto: constitui só por si um género (Biloba), uma família (ginkgoáceas), uma ordem (ginkgoálias) e uma classe (ginkgoras). Esta posição única na hierarquia vegetal não se deve a nenhuma mutação recente mas a uma constância genética perfeitamente invulgar.
Quando o Ginkgo servia de guarda sol aos dinossauros, os recenseadores teriam verificado uma dúzia de espécies, repartidos por todos os continentes do Planeta. Assistiu a todas as épocas geológicas: primária, carbonífero, secundária, terciária. A partir do quaternário, depois de uma enorme razia, ficou confinado ao leste da China, onde é, obviamente, objecto de culto. O sagrado em estado alquimicamente puro já vai sendo raro. Mas com as figuras do Coa e os Ginko de boa saúde, não há que ter receios.

Segredos da Longevidade

Lição qua o homem e todas as espécies em vias de extinção deviam aprender quanto antes, é o que faz a megalongevidade do Ginkgo:a resistência à seca e ao frio (20 graus centígrados negativos), por exemplo, permite-lhe subsistir hoje desde a Dinamarva à América do Norte.
A longa persistência da maturação sexual - entre o vigésimo e o milésimo anos de vida - coloca-a ao abrigo das mutações genéticas e assegura a estabilidade da espécie.
A resistência aos insectos, faz com que alguns povos o tivessem aproveitado como insecticida: quando secas dentro de um livro, as folhas asseguram a sua conservação.
Mas é conhecida também a resistência da Ginkgo aos fungos, aos vírus e a todos os factores patogénicos da sociedade industrial. Por cada árvore que a poluição matou, bem podiam os municípios plantar um Ginkgo.
Os fabricantes de produtos naturais ficaram muito gratos, já que se encontra em plena laboração o fabrico de produtos terapêuticos: o fruto, sedativo e expectorante, é indicado para asma, bronquite crónica e tuberculose.
A noz do fruto teria uma acção tubercolástica.
A folha entra na composição de numerosas receitas que asseguram a longevidade dos monges tibetanos. Diz-se que Mao Tsé Tung ter-se-ia mantido jovem e potente até provecta idade, grças ao Ginkgo... O que lhe permitiu mandar chacinar os tibetanos a tempo e horas. Salazar também parece que provou extracto da planta.
Em emplastros, as folhas previnem o cieiro. E os nós das ramificações - diz-se - favorecem o surto do leite na mulher.
Alheios a tanta vantagem profiláctica, os dois exemplares continuam crescendo em Lisboa, à espera que a Expo98 os descubra para plantar, de estaca, nos estaleiros de Cabo Ruivo.
***

2006-06-14

VOZES 1992

1 –1 -92-06-14-fi-cw> = complete works - 1775 caracteres vozes-6>

VOZES PARA AC FICCIONAR

[é claro, meu caro afonso, que esta lista é, em si própria, uma das ficções a incluir no livro «forum dos aflitos» = «vozes do céu» com que irei concorrer ao grande prémio de novelística]

Lisboa, 14/6/1992

(títulos em curso ou em projecto, já com background arquivado para arrancar na primeira ocasião que se proporcione):

- De um Sobreiro bastante doente ao Exmº Sr. Director Geral das Florestas
- Do Engraxador Vitorino ao seu distinto cliente Dr. Fonseca e Cunha Amaral
- Do Tim-Tim criado por Hergé ao seu cãozinho malcriado
- Para Althusser as queixas de sua magoada mulher
- De um Paciente muito paciente ao seu impaciente médico-de-família
- Queixas de um profeta aos Inquisidores do seu Tempo
- Carta de Nossa Senhora de Fátima a Fina de Armada
- Do Zé do Telhado ao administrador do Banco de Portugal
- De uma testemunha (cega) de Hiroxima ao Prof Openheimer, pai e mãe da Bomba Atómica
- De um esquimó do Alasca ao presidente da multinacional ESSO
- Carta de um poeta sistematicamente chumbado nos concursos literários ao José Correia Tavares, avatar fantasmagórico de todos os poetas deste País
- Carta de um Humilhado e Ofendido ao escritor Fiodor Dostoiewski quando ainda jovem
- De um empregado de armazém à sua namorada que só vê aos fins de semana
- Do Peer Gynt himself ao compositor norueguês seu amigo Eduardo Grieg agradecendo tê-lo tornado imortal e belo como a própria beleza

------
(*) Espero que, tornando pública esta lista, se torne mais difícil o roubo sistemático de ideaia para ficção a que tenho estado sujeito desde que me quis fazer escritor e comecei a concorrer aos prémios com júris excelentemente escolhidos a dedo pela Associação Portuguesa de Escritores
***

2006-04-28

COBAIAS 1992

1-4 -92-04-28-cw & gt; = complete works - 5 estrelas

A UNIDEOLOGIA EXPLICADA ÀS CRIANÇAS - EXEMPLOS COLHIDOS NA ÁREA DA ECOLOGIA HUMANA E ARREDORES

[28-04-92]

A Unideologia é perita em «manobras dilatórias», um dos dispositivos do seu arsenal a que recorre com mais frequência.
Ela desvia as atenções para o Elefante para fazer entrar a Formiga (ou vice-versa).
Ela encontra «bodes expiatórios» nos níveis intermédios da responsabilidade (mal pagos), da hierarquia social que serve o capitalismo. Ela joga simultaneamente em vários tabuleiros e usa, regra geral, vários braços armados, deixando para os protagonistas do Poder, os papéis simpáticos e populares.

ECOLOGIA HUMANA: CAMPO PRIVILEGIADO DA UNIDEOLOGIA

A Unideologia consegue este prodígio: quando há «doenças da civilização» aos punhados, «doenças do Ambiente», «doenças do Consumo», «doenças do Trabalho» de inacreditável gravidade, consegue mobilizar a opinião pública para o espectáculo grotesco da sida (ver dispositivo Elefante-Formiga), que de duas uma: ou existe como imunodepressão generalizada nos tempos que correm e é apenas uma doença do ambiente industrial (ainda que a mais paroxística e mãe de todas as doenças), ou então não existe: como produto de um vírus, a sida é apenas uma anedota mal contada.
Só que a Unideologia caracteriza-se exactamente por conseguir convencer todo o Mundo de coisas que nem sequer existem. Ou existem mas, se forem implicitamente denúncias espectaculares contra o sistema ( e a Imunodepressão põe esta sociedade definitivamente no Banco dos réus), a Unideologia consegue dar-lhes a volta e responsabilizar...o Vírus.
Não é argumento que a doença assim designada tenha incidência no Terceiro Mundo não industrializado: se há sucesso de que a Unideologia se pode gabar é a rápida exportação de poluições e doenças típicas do industrialismo.
Aliás, a imunosupressão tanto pode ser um resultado da Pletora alimentar como da Fome: porque a Pletora alimentar em termos de quantidade significa, nas sociedades industriais, a fome oculta a que tantos já se referiram.
Pergunte-se a um socialista, a um social democrata, a um democrata cristão, a um comunista, a um anarquista, a um maoísta, a um trotsquista e a um anarquista: todos acreditam na sida, como todos acreditam na medicina oficial, na ciência oficial, na tecnologia oficial, no discurso oficial, na tecnocracia oficial, na mitologia oficial,
Modelar é este caso - o chamado vírus - para definir o poder e a amplitudade da Unideologia: ele é um prodígio de hipnotismo e de manipulação do homem pelo homem
A Unideologia paga para em uma página, de preferência em papel «couché» e tetracromia, se fazer o elogio dos Antibióticos e paga para, na seguinte página, se fazer a crítica «científica» (quer dizer, dubitativa:« pode ser isto ou pode ser aquilo, os cientistas ainda não concluíram») dos mesmos antibióticos, barrando o caminho a qualquer tentativa de crítica radical, que chame aos antibióticos o que de facto são.
A Unideologia tem artes de financiar campanhas contra o uso de animais para experiências de laboratório, na aparente e piedosa intenção de amor aos animais, mas trata-se apenas de fazer esquecer junto da opinião pública que os doentes são sempre, urbi et orbi, cobaias dos medicamentos, dos novos e velhos medicamentos, constantemente introduzidos no mercado e que raramente são testados em animais. A Unideologia, aliás, tenta convencer a opinião pública de que os efeitos produzidos no Homem pelos medicamentos são iguais aos produzidos em Ratos, ou podem ser inferidos destes, o que é uma redonda mentira. Além de ser um insulto à qualidade especificamente humana das pessoas.
A Unideologia consegue arranjar um nome inocente, pomposo ou apenas eufemístico -«novas doenças» ou «doenças da civilização» - para as doenças que são pura e simplesmente produzidas, provocadas, causadas pelo capitalismo galopante e pelo ambiente de terror tecno-industrial, instaurado, principalmente, depois de Hiroxima.
A Unideologia consegue o à-vontade que a revista «Olá» (30.5.1987) mostra, ao intercalar entre dois pujantes anúncios de bronzeadores, com as sereias já devidamente torradas aos raios solares, um artigo muito providencial e amigo das leitoras: «Cancro da Pele: um perigo crescente a merecer congresso». Em matéria de Ecologia Humana, a Unideologia atinge, regra geral, requintes desta grandeza.
Como é que a indústria das Próteses Oculares, se não estivesse inspirada na Unideologia (que santifica a Prótese), atingiria o florescimento que actualmente tem? Se o mundo industrial não estivesse dominado hoje pelo pesadelo visual dos media electrónicos, dos ecrãs catódicos de computador, dos relâmpagos das fotocopiadoras, etc, como é que se podiam vender óculos (armações) que vão de 5 a 150 contos? Se não estivéssemos mergulhados num sistema que tem na vista - orgão hipersensível do ser humano e inclusive sede de uma das suas zonas reflexas - um dos seus alvos predilectos de agressão, quem iria investir na indústria de oculista?
Só a Unideologia conseguiria o prodígio de se referir à doença do patronato (a doença por excelência provocada pelo Patronato e adjacentes) - o Stress - com o à vontade que todos os dias os «media» revelam.
Aqui a Unideologia usa um dos seus dispositivos de psicomanipulação predilectos: repetir para banalizar e banalizar para minimizar.
A Unideologia tem lata (e só ela a tem) de encomendar a um articulista de serviço um artigo de denúncia das explosões nucleares na atmosfera, no mesmíssimo dia em que as ex-grandes potências - URSS, EUA, China, França, Grã Bretanha - acordaram começar as experiências subterrâneas, com o rol de sismos que têm assolado o Globo desde então.
Só a força da Unideologia, aliás, conseguiria ter toda a gente em todo o Mundo convencida de que, desde então, os sismos nada têm a ver com os milhares de explosões subterrâneas efectuadas. Só a Unideologia consegue tornar Opaco, de uma Opacidade total, o que é o estridente e «ululante» óbvio( outro dos seus dispositivos de Poder invencíveis).
Só mais um exemplo da Unideologia no campo da Ecologia Humana: a coexistência Leste-Oeste, dita pacífica, raiz da Unideologia, permitiu algumas realizações de grande vulto no campo da Utopia tecnocrática e outras que -- de tão utópicas -- nem chegaram à prática, mas ficaram como ameaças de megagigantismos e megaengenheiros, pairando sobre as nossas cabeças:
- Rebocar Icebergues (resposta ao Hidrovorismo do sistema)
- Desviar Rios
- Alterar Climas
- Fazer chover (iodeto de prata saiu de cena, não se sabe porquê)
Unideologia é assim: cura os males da tecnologia com mais e mais cara tecnologia, responde a um poluente industrial industrializando um anti-poluente, resolve as marés negras com detergentes, depois de 20 anos de vários Clorofluorcabonos, começa a industrializar produtos de substituição, que daqui a 20 anos serão substituídos por outros, depois de o mercado estar saturado de ecrãs radioactivos de monitores, lança um ecrã não radioactivo, etc
A Unideologia tem a seu favor o sindroma do «tele-efeito» ou efeito a retardador, do tipo «bomba-relógio»:
- Petroleiros afundados, submarinos atómicos afundados, cargueiros com produtos tóxicos propositadamente afundados, etc

A UNIDEOLOGIA NO CAMPO DA ECOLOGIA ALIMENTAR

Pela boca morre o Peixe e ninguém melhor do que a Unideologia o sabe e pratica, controlando completamente o discurso da informação alimentar e silenciando os pontos incómodos em que o sistema, a pretexto de servir bem o público, sistematicamente incorre.
Um exemplo fora da Ecologia Humana: A Unideologia, por exemplo, tem artes de propor à opinião pública, para que sejam queimados em fogo brando, os «madeireiros», indicando esse estrato profissional como o «lobby» principalmente responsável dos incêndios de Verão, desviando assim as atenções públicas das Celuloses e das Multinacionais celulósicas, que querem continuar eucaliptando o País e, portanto, arrasando matas de pinhais para novas plantações de «globulus».
A Unideologia tem artes de atribuir a pirómanos maníacos e a maluquinhos da aldeia a sementeira de fogos que é feita - toda a gente já sabe - de helicóptero, em várias frentes ao mesmo tempo e recorrendo aos mais refinados processos e recursos tecnológicos.
Só a Unideologia, com seus largos recursos retóricos, conseguiria convencer todo o Mundo de que esses helicópteros andam lá voando para vigiar as matas e protegê-las dos fogos... O discurso sobre o pirómano continua a debitar-se, apesar de se ter encontrado outro bode expiatório mais conveniente e convincente - os madeireiros.

***